Preconceito Linguístico

Enviada em 17/10/2018

A língua é responsável pela manutenção de uma sociedade e de seus falantes, pois é responsável pela comunicação. Contrapartida ela também pode ser responsável pela segregação e discriminação. No Brasil o preconceito linguístico é bastante evidente, porém não há um debate acerca deste assunto.

A língua é mutável de acordo com o tempo e com a ação de seus emissores, no Brasil todos são falantes da Língua Portuguesa, mas há variações e particularidades regionais, etárias,  e socioeconômicas, visto que o território brasileiro tem proporções continentais. Uma pessoa do sul não fala igual a do nordeste, apesar da gramática normativa ensinada nas escolas, os dialetos e gírias regionais ditam muito a forma como uma pessoa fala e se expressa.

Segundo o escritor Marcos Bagno, em sua obra " O Preconceito Linguístico: o que é, como se faz" não existe uma forma “certa” ou “errada” dos usos da língua e que o preconceito linguístico gerado pela ideia de que existe uma única língua correta - baseada na gramática normativa- colabora com a prática da exclusão social. As novelas são os maiores veículos de esteriótipos linguísticos, pois quando há um personagem do interior, ele é conhecido por ser atrasado, sem estudo, ingenuo, criado apenas para proporcionar risos aos telespectadores. Isto acaba por gerar rótulos e apelidos como, caipira, “roçeiro”, dentre outros.

Deste modo, fica claro que, o preconceito linguístico é um dos responsáveis pela segregação social, e precisa ser combatido. Portanto, as escolas deveriam abordar este tema nas aulas de Português, pois deve haver um entendimento de que há variantes da língua e que nenhuma deveria ser mais prestigiada que a outra, além disso a mídia e as novelas pararem de incentivar os esteriótipos, e promover campanhas para ajudar a romper o preconceito linguístico.