Preconceito Linguístico
Enviada em 17/10/2018
No movimento modernista brasileiro, houve a chamada fase heroica que era caracterizada pela valorização da linguagem coloquial. Esse acontecimento buscava tornar a linguagem mais acessível, desconsagrando a linguagem culta. No entanto, embora esse fato date de décadas atrás, atualmente o problema inerente à linguagem sugere a mesma conotação: o preconceito linguístico. Tal problemática segrega diversos grupos sociais causando danos irreparáveis à sociedade, quer seja pelas raízes históricas, quer seja pela atuação da mídia.
É indubitável que esse preconceito é fruto da história brasileira. O período da Colonização, no século XVI, foi marcado pela imposição da língua portuguesa aos nativos. Assim, a chamada catequização indígena, feita pelos jesuítas, desprezava a língua nativa e suas variações e, desde então, o preconceito linguístico se consolidou e foi se fortificando ao longo do tempo. A inobservância da estratificação social que ele causa é ingênua, tendo em vista que, ainda hoje, há uma visão elitizada sobre o domínio da linguagem culta. O pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu testifica essa ideia de que o domínio da língua culta funciona como uma moeda, propiciando à quem a possui uma série de vantagens sociais, promovendo assim, o Estado estamental, com as distinções dos grupos sociais bem definidas, e tendo como consequência a discriminação social.
Além disso, é inquestionável que a mídia tem atuado de modo a promover o crescimento desse preconceito. Dessa maneira, nota-se não só uma indiferença no combate, bem como uma atuação que fundamenta a mentalidade social a praticar tal violência. Prova disso são os inúmeros casos de personagens criados em filmes e novelas, que por falarem diferentes são ridicularizados e segregados, já os que demonstram o domínio da linguagem, são aclamados e tidos como exemplos de sucesso. Dessa forma, a mídia detém uma postura prescritivista na qual a norma-padrão ostenta uma aura de superioridade em detrimento da riqueza de variedades de um país de dimensões continentais.
Nesse sentido, de modo a reduzir os números de casos de preconceito linguísticos no Brasil, alguns pontos devem ser observados. Assim, o Estado, por intermédio do Ministério da educação, e em parceria com as prefeituras, deve criar equipes multidisciplinares, compostas por pedagogos, psicólogos e produtores literários, que atuarão nos municípios, mais precisamente nas escolas, com ensinos, palestras e atividades lúdicas. Desse modo, os alunos reconhecerão que a língua portuguesa é heterogênea e consubstanciada no respeito a todas as variedades, sem qualquer tipo de discriminação, desconstruindo a atuação midiática, valorizando as diversidades dos indivíduos e promovendo a manutenção da qualidade de vida em sociedade.