Preconceito Linguístico
Enviada em 16/10/2018
Segundo o pensador Paulo Francis “A ignorância é a maior multinacional do mundo”. Nesse sentido, pode-se observar que apesar do Brasil ser um país que apresenta uma diversidade cultural admirável, carrega muito preconceito por parte da população. Isso abrange, inclusive, os aspectos relacionados à variação linguística, caracterizadora de diversos povos, seus estilos de vida, que tem sido reprimida e ridicularizada, principalmente na contemporaneidade, causando graves efeitos na sociedade. Nesse sentido, vale discutir os fatores capazes de valorizar esses aspectos além dos efeitos causados pelo preconceito linguístico a esses povos.
Destarte, mediante a história do Brasil, desde o período pré-colonial, observa-se um país com enorme diversidade, que abrange desde à natureza até as variantes ligadas ao aspecto sociocultural, como por exemplo a cultura indígena. De maneira análoga, a variação linguística, que representa a peculiaridade dos diversos povos que constituem a sociedade brasileira, também é um elo fundamental nesse processo, pertencente ao patrimônio histórico do país. Não obstante, a valorização de tais marcas, que identificam os aspectos dos povos em seu contexto regional, ocupacional e sociocultural, devem ser trabalhados e vistos como marca de uma nação cheia de significados e riquezas.
Ademais, as consequências da prática do preconceito linguístico causam efeitos desastrosos à sociedade. Desse modo, de acordo com o supracitado, observa-se a exclusão social de indivíduos que apresentem alguma marca de oralidade, inclusive dentro do âmbito escolar, característica da região onde essas pessoas vivem ou de outros aspectos do seu cotidiano que possibilitaram tal postura. Nesse sentido, segundo o linguista Marcos Bagno “não existe certo ou errado”, reforçando que a língua possui uma vasta diversidade, sendo a norma culta responsável por uma parcela da sua constituição. É necessário, no entanto, que medidas capazes de banir o preconceito e trabalhar a cultura dos povos sejam implementadas, indubitavelmente, dentro de instituições de ensino no Brasil.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para extinguir o preconceito linguístico e seus efeitos na sociedade brasileira. Para isso, o MEC deve inserir nas escolas públicas, programas que visem à valorização da variação linguística, por meio de oficinas e peças de teatro, direcionadas por professores, possibilitando os alunos conhecerem a diversidade sociocultural que permeia o país. Além disso, em conjunto ao programa mencionado, que rodas de conversas sejam realizadas, por profissionais qualificados, tais como psicólogos, com o intuito de abordar questões envolvendo o preconceito e os danos causados em decorrente desse ato. Somente assim a sociedade concretizará um processo de conscientização eficaz, capaz de eliminar a “ignorância cultural” dos brasileiros.