Preconceito Linguístico

Enviada em 16/10/2018

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza pelo problema do outro. Entretanto, hodiernamente, verifica-se que esse ideal é constatado apenas na teoria e não desejavelmente na prática, quando se observa, apesar de todo o dinamismo da língua portuguesa, o recorrente preconceito que muitos cidadãos sofrem quanto à sua linguagem. Logo, a fim de compreender as motivações e os desdobramentos do problema, e buscar soluções, faz-se necessário analisar como a mídia e o modelo tradicional de educação brasileiro influenciam nesse cenário.

A priori, é válido destacar a mídia, devido a sua forte influência sobre a cultura e os costumes do país, uma vez que esta enraíza estereótipos clichês como o nordestino pobre de sotaque marcante e o negro da favela com vocabulário recheado de gírias. Esses estereótipos deveriam dar lugar à conteúdos cujo objetivo seja valorizar a diversidade do português, pois como diz o filósofo Michel Foucault, é preciso mostrar as pessoas que elas são mais livres do que pensam para se desprender de pensamentos errôneos construídos em outro momento histórico.

Aliado a isso, o sistema educacional brasileiro valoriza único e exclusivamente a norma culta do português em detrimento da diversidade e dinamicidade da língua, e assim cria-se a ideia de que quem se afasta do português ‘‘bem falado’’ é inferior. Como já disse o pedagogo Paulo Freire, a educação é uma forma de libertação social. Então é necessário uma mudança na forma de aprendizado.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a prática destes ideais Iluministas. Destarte, a mídia deve criar campanhas e matérias que ressaltem a diversidade da língua portuguesa, com o intuito de trazer uma reflexão sobre os telespectadores. Além disso, o Ministério da Educação deve promover palestras e incentivos com professores de português para que a língua portuguesa seja ensinada em toda sua conjuntura, e não apenas a sua gramática.