Preconceito Linguístico
Enviada em 16/10/2018
Na obra “Pronominais”, o escritor modernista Oswald de Andrade retrata a importância de reduzir a distância entre a linguagem falada e a escrita. Nesse sentido a gramática normativa,que prescreve as normas gramaticais, diz “De-me um cigarro”,porém,o autor já compreendia que no dia-a-dia todos dizem “Me dá um cigarro”.No entanto,hodiernamente,diferente do proposto o “UAI” dos mineiros e o “NÓIS” dos nordestinos são vítimas constantes de preconceito linguístico devido à imposição da norma padrão bem como às reproduções de padrões de linguagens acentuados pela mídia.Logo,é essencial identificar as causas dessa problemática e propor possíveis soluções para ela.
A princípio,vale destacar que a norma padrão foi formulada por uma classe dominante que considerou todas as outras variações da língua como incorretas.A respeito disso,conforme afirma o escritor e linguista Marcos Bagno a língua é instrumentalizada pelos poderes oficiais como um mecanismo de controle social.Sendo assim,o uso da linguagem rebuscada só é valida se o interlocutor compreender a mensagem,entretanto,essa,na maioria das vezes,é usada como instrumento de exclusão social,a exemplo,as falas jurídicas e acadêmicas empregadas em contextos informais.Dessa forma,a norma culta cria uma segregação social,indivíduos que sofrem com o preconceito linguístico,podem adquirir problemas de socialização.
Outro fator relevante é a presença de uma língua ligada à estrutura de uma sociedade desigual,na qual,os falantes da norma culta são aqueles com maior nível de escolaridade e poder aquisitivo.Sendo assim,a mídia reproduz toda esse sistema desigual,reforçando os padrões linguísticos.Pode-se mencionar,por exemplo,a valorização da norma portuguesa ,enquanto que a representação de nordestino,nos meios de comunicações,é realizada de forma estereotipada,que em geral tais personagens são utilizados em contextos cômicos devido sua fala ser associada à ignorância e à ausência de escolaridade.Assim,o papel da mídia agrava a situação. Portanto,indubitavelmente,medidas são necessárias para resolver o problema.Cabe ao governo,por meio de escolas,promover aulas e palestras as quais mostrem a existência das variações linguísticas do país,a fim de promover o contato dos indivíduos a diferença entre línguas na língua.A mídia,por sua vez,mediante os programas televisivos,deve evidenciar todos os tipos de fala sem favorecer uma linguagem em detrimento da outra como também investir em campanhas educativas que ajudem a desconstruir os estereótipos,com o fito de diminuir o preconceito linguístico.Desse modo,a realidade estará mais próxima daquela proposta por Oswald de Andrade.