Preconceito Linguístico
Enviada em 16/10/2018
O personagem Chico Bento, criado por Maurício de Sousa para representar um menino do interior, era frequentemente reprimido devido às gírias e entonações regionais de suas falas. Fora dos quadrinhos, o preconceito linguístico atinge muitos brasileiros devido, principalmente, ao currículo escolar excludente e à irresponsabilidade dos veículos midiáticos de grande alcance.
A princípio, cabe destacar que o sistema educacional contribui para a formação de tal discriminação, na medida em que impõe a norma culta como o único modo correto de uso da língua. Consoante a Pierre Bourdieu, as trocas linguísticas estão atreladas às relações de poder. Logo, a ausência de incentivo ao reconhecimento das variedades como formas usuais do idioma deixa brechas para o julgamento depreciativo daqueles que não utilizam a norma ensinada.
Além disso, é válido analisar que, segundo Marcos Bagno, a mídia colabora para o assédio à pluralidade da fala. Tal realidade pode ser observada na forma caricata como os sotaques e as gírias nordestinos são tratados em filmes e novelas nacionais. No entanto, tal veículo tem grande alcance social e reforça esteriótipos discriminatórios.
Portanto, a fim de atenuar a problemática, o Ministério da Educação deve elaborar uma campanha educativa, com palestras e cinedebates, que estimulem o reconhecimento das variantes como parte da cultura linguística do país. Ademais, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos pôr em vigor uma ação afirmativa que obrigue as grandes emissoras de TV a incluir apresentadores de diversos sotaques em seus programas, a fim de recuperar o desserviço prestado anteriormente, que já acometia Chico Bento nos quadrinhos.