Preconceito Linguístico
Enviada em 20/10/2018
Na Semana de Arte Moderna, em 1922, os modernistas propuseram à linguagem popular adentrar o mundo artístico, não só privilegiando o verso branco e livre, como também o regionalismo extinto de regras gramaticais. Contudo, hodiernamente, vivencia-se a problemática sobre o preconceito linguístico entre regiões do país e classes sociais. Nesse aspecto, pode-se destacar a segregação da sociedade baseada em modelos de produção, assim como o uso da linguagem para a obtenção de poder.
É indubitável que há existência de variações linguísticas no Brasil devido ao extenso território e diversas origens culturais desde a colonização. Ademais, colabora para essa visão, o conceito de Modernidade Líquida, “as relações transformam-se, tornam-se voláteis na medida em que os parâmetros concretos de “classificação” dissolvem-se”, do sociólogo Zygmunt Bauman. Dessa forma, afirma-se que a crescente mudança no âmbito laboral, em qualificação de mão de obra, trata-se da individualização do mundo. Por esses motivos, acaba por existir, a superioridade linguística das regiões bem sucedidas economicamente, em detrimento das demais que ficam taxadas por um vocabulário com particularidades, como reflexo de seu desenvolvimento.
Concomitantemente a isso, a existência do uso da língua relacionada á interesses peculiares agrava o panorama. Conforme Gorgias, sofista da Grécia Antiga, “A persuasão aliada a palavras modela a mente dos homens como quiser”, destaca-se por tal prática garantir a formação de oligarquias. Desse modo, com a precariedade encontrada no ensino público do país, muitos aproveitam para realizar discursos baseados em vocabulários rebuscados, em detrimento da verdade, ainda cima em textos jurídicos, que são construídos com jargões específicos, o que distancia os cidadãos do conhecimento das leis vigentes. Diante disso, somente um ensino pautado na diversidade da língua, bem como na sua plasticidade, garantirá uma formação menos excludente.
Evidencia-se, portanto, que o preconceito encontrado diante as diferenças linguísticas dos indivíduos distanciam as relações sociais. Logo, o Governo Federal, junto com o Ministério da Educação, deve atuar na desmistificação de estereótipos linguísticos, por meio da mídia, com a disseminação de ideias e informações em grande alcance, promover projetos e debates, assim como realizar campanhas educativas. Outrossim, com o apoio das entidades educacionais, necessita abordar o tema em seus espaço, difundir reflexões por meio de projetos pedagógicos que contemplem oficinas e palestras, para a difusão de conceitos baseados na tolerância. Em suma, a iniciativa dos modernistas sairá da inercia, e em seus devidos movimentos irá converter em relações harmônicas à sociedade.