Preconceito Linguístico
Enviada em 16/10/2018
Com início em 1922, o Modernismo surgiu quebrando padrões clássicos e trouxe novas formas de produção artística. Na literatura, os autores modernistas buscavam retratar o Brasil de forma mais real e para isso utilizavam a linguagem falada e suas variações como ferramenta. Contudo, o que era um instrumento para descrever a pluralidade brasileira, hoje, é motivo para o preconceito, o qual é desencadeado pelo pouco conhecimento sobre a língua, intensificando a exclusão social.
É preciso analisar, antes de tudo, que o entendimento sobre a linguagem é causa para o problema. Isso porque, a sociedade, por não conhecer ou ignorar as variedades da língua portuguesa, impõe um padrão linguístico como correto, mesmo diante da diversidade do país. Segundo Marcos Bagno, não existe certo e errado na língua, assim, a sociedade, ao determinar um padrão linguístico como correto promove o preconceito, posto que ignora fatores culturais e históricos que possuem influência na composição da linguagem. Dessarte, desconstruir o pensamento de que existe certo e errado é um passo para atenuar o impasse.
Outrossim, o preconceito linguístico acentua a exclusão social. Isso pois, de acordo com o livro Preconceito linguístico, a linguagem é usada como ferramenta de distinção. Esse aspecto reflete principalmente naqueles com baixo grau de escolaridade, os quais, muitas vezes, são segregados e tratados como ignorantes por não falarem conforme a norma culta. Além disso, as escolas atuam como excludentes, visto que muitas, valorizam a linguagem considerada correta em detrimento das variantes, intensificando o conceito de que existe um padrão linguístico superior. Desse modo, a exclusão social é um efeito ardiloso do preconceito no Brasil.
Urge, portanto, que o preconceito linguístico precisa ser atenuado. Para isso, as escolas devem abordar a temática por intermédio de aulas de linguagem e palestras, com foco na formação moral dos educandos, disponibilizando informações necessárias e valorizando as variantes da língua, a fim de desconstruir o conceito de certo e errado enraizado na sociedade brasileira e cumprir com seu papel inclusivo. Ademais, a mídia, como formadora de valores, deve retratar a problemática por meio de novelas e programas, levando a discussão para a esfera social e mostrando os efeitos provocados pelo preconceito, com o intuito de romper com o comportamento excludente.