Preconceito Linguístico

Enviada em 25/10/2018

Conforme relata o linguista Marcos Bagno, no livro Preconceito Linguístico, o Brasil possui caráter multilíngue ao apresentar mais de 200 línguas distintas. Nesse sentido, a tendência seria o Governo brasileiro, como Estado Democrático de Direito, assegurar o direito de livre expressão a todos indivíduos. No entanto, há a padronização de uma tipologia linguística num molde de linguagem específico: a língua portuguesa culta. Isso demonstra a carência de iniciativas que mitigam o julgamento com as demais línguas devido, sobretudo, à negligência do Estado e ao preconceito social.

Primeiramente, quando o sociólogo Raymundo Faoro exprimi que o Brasil herdou de Portugal um Governo patrimonialista e burocrático, evidencia-se a influência da cultura na ineficiência estatal de combater o preconceito linguístico. No contexto da colonização, a língua portuguesa foi imposta, haja vista o processo de aculturação com os índios e africanos. Nessa perspectiva, a manutenção de tal ideal etnocêntrico - em que determinada cultura é superestimada - acarreta, hoje, a exclusão social, por exemplo, das diversas línguas indígenas, das línguas africanas remanescentes, da língua de Libras e das oriundas da miscigenação com os imigrantes europeus. Nessa direção, o Estado brasileiro não cumpre o ideal democrático com plenitude ao privilegiar a língua portuguesa como padrão, já que, segundo o sociólogo Habermas, o Governo deve, por meio de debates políticos, garantir legalmente as liberdades individuais. Dessa maneira, é necessário enfrentar a negligência do poder público.

Além disso, segundo Ray Bradburry, no livro Fahreiheit 451, é essencial a difusão de informações para o desenvolvimento de senso crítico nas pessoas, o que ilustra as consequências negativas da não conscientização dos brasileiros acerca das variações linguísticas. Nesse cenário, a falta de instrução a respeito da mobilidade da língua portuguesa implica a superestimação da norma culta e ao preconceito com variantes regional, de tempo, de idade ou de classe. Por isso, de acordo com o sociólogo John Rawls, é preciso superar o “véu da ignorância”, ou seja, independente dos interesses particulares, é necessário ter conhecimento da diversidade para cultivar o respeito. Dessa forma, o preconceito social precisa ser rechaçado para garantir democracia de língua.

Fica claro, então, o mau prognóstico do desenvolvimento de medidas que combatam as diferentes formas de comunicação. No propósito de minimizar tal problemática, o Ministério da Cultura deve fomentar a interpolação da línguas brasileiras por meio de subsídios a universidades , na área de Letras, para a promoção de projetos que relacionam as tais 200 línguas, bem como a criação de instituições destinadas a pesquisar tal diversidade. As escolas, ainda, podem estimular a conscientização das variedades linguísticas com debates interdisciplinares com português e humanas.