Preconceito Linguístico

Enviada em 15/10/2018

Na primeira fase do Modernismo no Brasil, o campo literário rompeu com o tradicionalismo gramatical rebuscado mantido ao longo da história e passaram a valorizar o modo de escrever, sotaques e gírias dos autores. Entretanto, os destaques dados na época ficaram no passado e o preconceito linguístico se tornou uma realidade no corpo social brasileiro. Nesse sentido, são necessárias medidas para que a problemática seja resolvida e uma sociedade integrada alcançada.

A priori, convém ressaltar que, segundo Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado, logo, percebe-se que as heranças históricas que acarretam o preconceito linguístico influi no comportamento da sociedade atual. Prova disso, é que na colonização do país, os europeus impuseram sua língua aos nativos, desprezando as ricas variedades linguísticas indígenas, dessa forma, o preconceito intrínseco com qualquer língua e variante permaneceu na sociedade, como por exemplo os nordestinos que são maior alvo de tal intolerância, pois sua entonação regional é satirizada na sociedade, o que faz com que essa parcela da população seja ainda mais menosprezada.

A posteriori, é importante salientar que, de acordo com Schopenhauer, os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Sob essa ótica, é possível analisar que os déficits educacionais colaboram com o problema, visto que os ínfimos investimentos estatais no ensino público implicam na capacitação de professores e de livros didáticos de qualidade, o que faz com que muitas pessoas terminem o ensino médio sem dominar os padrões da língua normativa. Dessa maneira, a parcela da população que detém tal conhecimento julga-se superior aos que não a possuem, levando a exclusão social desses indivíduos principalmente no ramo laboral.

Em suma, é possível visualizar que a problemática necessita de soluções eficientes. Sendo assim, o Ministério da Justiça através de seu poder legislativo, deve propor no Congresso a aprovação de leis que criminalizem a intolerância linguística, desde a satirização até a exclusão social desse indivíduos, de modo que a punição dos agressores seja através de indenizações aos afetados. Além disso, o Ministério da Educação deve criar um projeto denominado ’’ Os Idiomas do Brasil’’ e instituir em todas escolas do país. O programa deve conter palestras ministradas pelos professores de Sociologia, para que eles abordem a problemática atual com os alunos, de modo que os jovens sejam questionados por soluções referentes a inserção social de quem sofre tal preconceito, com o fito de despertar a tolerância. Posto isso, será possível obter mudanças significativas no futuro.