Preconceito Linguístico
Enviada em 15/10/2018
A língua portuguesa, tal como se é falada no Brasil, não pode ser compreendida como um elemento inerte e externo às mudanças históricas e sociais. O período de ocupação do país em 1530 influenciou pra que o idioma e a fala se configurassem como componentes dinâmicos e autênticos de brasilidade. De um lado, havia portugueses, holandeses e franceses, falantes de línguas diferentes provenientes do latim; de outro, a grande pluralidade linguística dos povos africanos e indígenas. Juntas, essas culturas foram responsáveis por incrementar e moldar, pouco a pouco, uma língua variada e repleta de expressão: o famoso “brasileiro”. Atualmente, as variações linguísticas no país é um tema de discussão entre as pessoas, que procuram defender o que é certo, errado ou bom-senso.
Durante muito tempo, a arte de ler e escrever estava restrita a poucos. No Brasil, por exemplo, os até a Semana de Arte Moderna em 1922, os escritores valorizavam uma métrica perfeita em suas obras: quanto mais próxima e fiel à gramática, melhor. Todavia, com a primeira geração modernista, os artistas passaram a adotar a linguagem coloquial, livre de regras gramaticais, haja vista que a maioria da população brasileira não se identificava e nem falava de maneira rebuscada. De fato, como posto pelo poema “Vício na Fala”, de Oswald de Andrade, as variações criam e recriam uma língua dinâmica e viva.
Nesse contexto, muitos críticos dizem que essas transformações, embora inevitáveis, causam certa discordância no ensino de gramática nas escolas, pois a norma culta, socialmente, deve ser melhor valorizada. Porém, há aqueles que dizem ser necessário uma adaptação do falante às diversas situações do dia a dia, cabendo escolher sabiamente entre elas para adequar ao momento, uma vez que há uma grande diferença do vocábulo empregado em uma roda de amigos em comparação àquele utilizado em uma reunião de empresa, por exemplo.
Logo, em virtude de um contexto sobre debates das variações linguísticas em questão no Brasil, faz-se necessário levar em consideração mecanismos que garantam um ensino de boa qualidade e que desmitifiquem os preconceitos entre “certo” e “errado”. Em primeiro lugar, é de suma importância que o Ministério da Educação planeje as bases do ensino da língua portuguesa de forma a prezar pela sua adequação em diferentes circunstâncias, a fim de preparar o estudante para elas. Ademais, é fundamental que a mídia aberta, ao ter a população como influente “massa de manobra”, crie contextos em telenovelas e comerciais para demonstrar que, em um país de dimensões continentais e com grande discrepância no acesso à educação, dialetos e gírias são componentes fundamentais da língua e, portanto, não devem ser motivo de discriminação.