Preconceito Linguístico

Enviada em 18/10/2018

Entre os séculos XV e XIX, o território brasileiro foi palco de uma verdadeira imersão estrangeira. Seja pela chegada dos portugueses em 1500, o tráfico negreiro no século XVI ou pela intensa imigração européia em meados de 1890, a disseminação de vastas línguas e dialetos no país é historicamente exorbitante. Entretanto, hodiernamente, nota-se que mesmo com a propagação do conceito de diversidade linguística, persiste um preconceito inerente ao país. No qual, consiste-se na exaltação da pronúncia em acordo com a gramática normativa, em detrimento da valorização dos ricos regionalismos e dialetos culturais existentes no país.

A princípio, vale ressaltar, que o território brasileiro é um dos mais miscigenados de todo o mundo. Nesse sentido, o escritor José Saramago faz uma referência a essa variedade quando cita: “Não há língua portuguesa, há línguas em português”. Com isso, nota-se que o preconceito linguístico existente no Brasil, quanto ao modo de falar do indivíduo e suas peculiaridades, é repudiável, uma vez que, a essência do povo brasileiro carismático, alegre e amável, é a chamada “brasilidade”. A qual, foi construída por meio da união de diversas culturas em uma só voz.

Ademais, indubitavelmente, a gramática normativa é indispensável à um país, constituindo vertente primordial da escrita formal e dos documentos oficiais. Entretanto, deve-se discernir, que diferentemente da escrita, a fala, o dialogar, é mutável, e deve-se respeitar o desdobramento comunicativo das variadas situações do cotidiano, tal como o acervo linguístico dos interlocutores de um diálogo, tornando a comunicação equitativa.

Portanto, para que a população torne-se mais respeitosa quanto à riqueza cultural do país, e a tolerância linguística seja uma vertente do país, cabe ao Poder Público, em parceria com o Ministério da Cultura, a divulgação da Declaração do Direitos Linguísticos de 1996, à sociedade civil, visando um maior entendimento cívico sobre a liberdade de expressão linguística. Atrelado à mobilização das instituições escolares e familiares no que tange à formação de indivíduos éticos e cidadãos que visam a tolerância cultural.