Preconceito Linguístico
Enviada em 15/10/2018
Sob a perspectiva de Claude Lévi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais. Nesse contexto, percebe-se que, no Brasil, a questão do preconceito linguístico, historicamente, estigmatiza a língua popular, o que marginaliza grupos sociais e promove sua exclusão no corpo social. Diante desse panorama, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro, como a imposição da norma culta, bem como o contexto histórico-cultural do país.
Inicialmente, evidencia-se que a coletividade brasileira é estruturada por um modelo excludente imposto pelos grupos dominantes, no qual o indivíduo que não atende aos requisitos estabelecidos, como seguir a língua culta, sofre uma periferizacão social. Nessa lógica, é notável que, consoante ao pensamento de Lévi-Strauss, a língua popular e seus falantes não são valorizados de forma pleno, e torna-se vítimas de preconceito, o que caracteriza como um irrespeito descomunal a esse público. Por conseguinte, a vítima encontra dificuldades para integrar-se no mercado de trabalho, devido às exigências de adequação à norma culta, o que o priva de algumas instâncias.
Além disso, deve-se ressaltar que, de acordo com o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Desse modo, o sujeito, ao estar imerso em sua própria vivência ,não reconhece outras perspectivas, perpetua a exclusão e a dificuldade de inserção na sociedade pelos falantes da norma popular. Em vista disso, até que se reconheça a especificidade do português brasileiro dentro das línguas derivadas do português quinhentista implantado nas colônias, a estruturação desigual e opressora da coletividade, bem como seu viés individualista, haverá uma contínua diminuição das oportunidades sociais desse grupo minorizado.
Torna-se evidente, portanto, que a problemática do preconceito linguístico no país deve ser solucionada. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, aliado as escolas, adicionar a grade curricular das escolas, aulas sobre Variação Linguístico e História da Língua Portuguesa, junto com palestras com dados estatísticos, e depoimentos de pessoas especializadas sobre o tema, o fito de fazer com que o aluno entenda as diferenças entre a norma padrão e a norma popular, e tenha uma visão não preconceituosa em relação às variedades linguísticas divergentes do padrão culto. Além disso, a sociedade deve procurar defender os falantes da norma popular, além de repudiar as formas de preconceito e marginalização, como em conversas pessoais ou em redes sociais. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora nas condições sociais desse grupo.