Preconceito Linguístico

Enviada em 15/10/2018

De acordo com Albert Camus, escritor argelino do seculo XX, se houver falhas na conciliação entre justiça e liberdade , haverá intempéries de amplo espectro.Nesse sentido, o preconceito linguístico no Brasil fere não somente preceitos éticos e morais , mas também constitucionais estabelecidos pela Carta Magna do pais. Dessa forma , observa-se que o ato de julgar alguém pelo seu modo de falar reflete-se em uma problemática desafiadora , seja a partir de reflexo histórico , seja pelo descumprimento de clausulas pétreas.

Mormente, ao avaliar o preconceito linguístico por um prisma estritamente histórico, nota-se que fenômenos decorrentes da formação nacional ainda perpetuam na atualidade.Segundo Albert Einstein, cientista contemporâneo, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado.Sob tal ótica, é indubitável que inúmeras ojerizas regionais ,presentes no Brasil hodierno possuem ligação direta com o passado , haja vista que no Brasil colônia, as elites de determinadas regiões consideravam um desrespeito a norma culta o modo de falar dos que viviam em regiões mais pobres e distantes. Assim ,criou-se ao longo da historiografia mitos e concepções deturpadas de que não se falar de acordo com a norma culta padrão da língua portuguesa significa sinônimo de pobreza e analfabetismo.

Alem disso , cabe ressaltar que o preconceito decorrente do modo de se falar burla preceitos constitucionais. Nessa perspectiva , a Constituição Brasileira promulgada em 1988, após duas décadas da Ditadura Militar, transformou , a visão dos cidadãos perante seus direitos e deveres.Contudo quase 30 anos depois de sua divulgação, a liberdade de diversos indivíduos continua impraticável. À vista de tal preceito , o preconceito linguístico configura-se uma chaga social que demanda uma resolução , pois fere o direito de que ninguém sera submetido a tortura , nem a tratamento desumano ou degradante, alem da liberdade de expressão.

Destarte, depreende-se que raízes históricas potencializam atos inconstitucionais no Brasil.Torna-se imperativo que o Estado, na figura do Poder Legislativo , desenvolva leis de tipificação como crime hediondo aos atos violentos e humilhantes feitos em decorrência de um preconceito regional ou do seu modo de falar . Ademais,urge que a mídia , por meio de novelas e seriados,transmita e propague a diversidade linguística , com o proposito de desmistificar receios populacionais. Outrossim, a escola deve realizar palestras , a fim de instruir , seus alunos acerca da variabilidade do vocabulário brasileiro e ampliar o repertorio verbal dos ouvintes , garantindo a eles o acesso a múltiplas formas de falar e escrever. Apenas sob tal perspectiva , poder-se-a respeitar a liberdade e combater o preconceito linguístico:pois como proferido por Karl Marx , as inquietudes são a locomotiva da nação .