Preconceito Linguístico

Enviada em 15/10/2018

No limiar do século XXI, o preconceito linguístico aparece como um dos problemas mais evidentes na sociedade brasileira. É mediante tal questão que muitas pessoas são expostas a situações humilhantes e constrangedoras. Nesse contexto, é indispensável salientar que a confusão criada entre os conceitos de língua e de gramática normativa está entre as causas da problemática, haja vista que, apesar de coexistirem, muitas pessoas são reprimidas por não seguir a linguagem que lhe foi imposta - norma padrão. Diante disso, vale discutir as motivações para a discriminação de grupos linguísticos não convencionais e a importância da educação para a evolução do país.

Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que o preconceito linguístico é latente na sociedade brasileira. Na série de história em quadrinhos “Turma da Mônica”, o personagem “Chico Bento” vive no meio rural e apresenta uma linguagem típica da região, marcada pelo coloquialismo. No entanto, por se afastar da norma padrão da língua portuguesa, “Chico” torna-se vítima de preconceito linguístico até mesmo por parte dos leitores, que o vê como uma pessoa pouco esclarecida. Apesar de ser uma ficção, a história em quadrinhos retrata perfeitamente a realidade de muitos grupos sociais, que são reprimidos por utilizarem um vocabulário mais singular. Nesse sentido, o filósofo Pierre Bourdieu sustenta a ideia de que a violação aos Direitos Humanos não consiste somente no embate físico, o desrespeito está, sobretudo, na perpetuação de preconceitos que atentam contra a dignidade da pessoa humana.

Outro ponto em destaque - nessa temática - é a relevância da educação para o desenvolvimento da nação. Seguindo essa linha de raciocínio, o educador Paulo Freire defende o pensamento de que, se a educação não pode transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Fazendo jus a esse conceito, é imprescindível a conscientização da população sobre o respeito às diferenças e ao próximo, de modo que a diversidade linguística brasileira seja fortalecida. Nessa ótica, estudos do Instituto de Pesquisa de Campinas indicam que a norma padrão da língua portuguesa não deve sobrepor as demais variantes linguísticas, já que representa apenas 20% do que é, de fato, “falado” no Brasil. Sendo assim, torna-se urgente uma mudança nos valores da sociedade.

Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para acabar com o atrito entre a norma padrão e as variantes linguísticas. Cabe ao Ministério da Educação exigir a inclusão da disciplina de “Línguas Nacionais” no currículo escolar de todos estudantes. Nessa nova matéria, o professor ministrará aulas sobre as pronúncias da língua portuguesa das diferentes regiões do país, de modo que o respeito seja estabelecido. Com isso, além de enriquecer o vocabulário do estudante, acabará com o preconceito.