Preconceito Linguístico

Enviada em 15/10/2018

A tela “Os Operários”, pintada por Tarsila do Amaral, retrata a diversidade cultural existente na sociedade brasileira, por meio da variedade de faces humanas na obra. No entanto, no limiar do século XXI, é possível identificar preconceitos relacionados à pluralidade cultural, entre eles a intolerância perante as variantes dialéticas. Nesse contexto, não só surge o preconceito linguístico, como também, seus efeitos na sociedade.

É importante ressaltar, primeiramente, que o preconceito linguístico é gerado pela maximização da ideia de que existe um único dialeto, sendo esse baseado na gramática normativa brasileira. No entanto, de acordo com o professor e linguista Marcos Bagno não existe maneira incorreta de usar a língua, pois os dialetos são desenvolvidos em função dos aspectos históricos, culturais e sociais de determinada comunidade. Tal conjuntura assemelha-se aos sotaques, que são maneiras distintas de pronunciar determinados fonemas e são utilizados de acordo com as circunstâncias socioespaciais do indivíduo. Diante disso, é perceptível que as variantes dialéticas são intrínsecas à língua.                          Ademais, o preconceito linguístico corrobora a exclusão social no país, pois qualifica os indivíduos por intermédio de um estereótipo associado às variantes linguísticas. Tal condição é análoga ao do personagem Chico Bento, do cartunista Mauricio de Sousa, em que a figura de Chico é representada por um caipira, devido à sua dialética. Outrossim, a disseminação desses estereótipos por meio das mídias sociais contribuem para que o preconceito linguístico seja considerado natural na sociedade, similarmente ao conceito de banalidade do mal, exposto pela socióloga Hannah Arendt: quando uma ação errônea ocorre constantemente, os indivíduos param de vê-la como incorreta. Desse modo, depreende-se que o preconceito linguístico configura o impasse e deve ser resolvido.

Em suma, com o objetivo de combater a subjugação das variações linguísticas, o Ministério da Cultura em conjunto ao Ministério da Educação – responsável por desenvolver políticas públicas em prol do ensino- devem estimular o contato com as variantes dialéticas do país, por meio de palestras e da distribuição de livros literários regionalistas para os estudantes. Dessa maneira, é possível diminuir as implicações do preconceito linguístico na sociedade.