Preconceito Linguístico
Enviada em 15/10/2018
Composta por Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga em 1947, a música Asa Branca traz consigo, não somente a difícil vida do sertanejo, como também, todo seu jeito único de se expressar. O sucesso foi tão avassalador que a canção chegou a ser premiada pela Billboard, renomada revista norte-americana. Com isso, seria racional acreditar que com tamanha aceitação de um trabalho feito totalmente em cima de uma variedade linguística regional, que o preconceito linguístico não se fizesse presente hoje, contudo, a realidade é justamente a oposta. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores de tal postura negligente da sociedade.
O preconceito linguístico é tão recorrente no Brasil que tornou-se comum o termo, principalmente, quando trata-se do nordestino, muitas vezes chamado pejorativamente de matuto. Em entrevista cedida a UOL pelo poeta cearense Bráulio Bessa, são retratadas barbáries ocorridas pelo fato de se falar diferente, como: “É triste saber que você está em um ambiente que te olham diferente pelo seu jeito de falar”, e “Já recebi até ameaça de morte”. Diante do exposto, é notória a inaceitabilidade do revés.
Faz-se mister, ainda, salientar que a ausência de matérias que abordem o tema nas escolas é um grave impulsionador do problema. É possível sintetizar tudo até aqui explanado através da fala de Immanuel Kant, que diz: “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Em vista disso, é evidente a necessidade de uma reformulação na metodologia de ensino.
Portanto, medidas se fazem necessárias para resolver o impasse. O Governo Federal, mais precisamente o Ministério da Educação, deve implementar na grade de ensino das escolas públicas e particulares, matérias que tratem o tema de forma objetiva e clara, buscando assim conscientizar as crianças desde cedo, já que serão elas os adultos do amanhã. Só assim, por meio da educação, será possível garantir um futuro que respeite não só a diversidade, como também toda e qualquer forma de expressão.