Preconceito Linguístico

Enviada em 15/10/2018

O poema “Vício na fala”, de Oswald de Andrade, marca as diversas variações linguísticas presentes na gramática normativa brasileira. Todavia, é notório que haja um juízo de valor da população culta quando se trata do desvio da norma padrão. Portanto, cabe analisar os fatores que realizam a manutenção do preconceito linguístico no Brasil com o escopo de acabar com a marginalização da massa popular.

Em primeira instância, a colonização pelos portugueses e a chegada dos povos europeus promoveram as variações da lingua que, por sua vez, agregam valor ao acervo cultural e histórico da nação brasileira. Logo, tratar essas variantes como mazelas sociais é negar anos de história que formaram o nosso país. Desse modo, as particularidades deveriam ser tratadas como patrimônio social e, não como instrumento de distinção e dominação das camadas eruditas da sociedade.

Em segunda análise, a influência das redes sociais e os efeitos da vida corriqueira no século XXI contribuem para as marcas de coloquialidade, dialetos e gírias no falar do brasileiro. Marcos Bagno, escritor da obra “Preconceito Linguístico: O que é e como se faz”, ressalta que não existe forma certa ou errada na lingua, desde que se estabeleça a comunicação entre os falantes. Logo, é preciso acabar com as exclusões sociais decorrentes do preconceito linguístico.

Por fim, para que as variantes sejam aceitas no falar brasileiro, é mister que o Ministério da Educação (MEC), em união à mídia, apresente palestras nas escolas sobre a riqueza cultural e histórica brasileira e suas influências na lingua brasileira a fim de debater e criar soluções acerca do preconceito linguístico. Dessa forma, como dizia Mario Sergio Cortella, “A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”