Preconceito Linguístico
Enviada em 22/10/2018
Ariano Suassuna, escritor pernambucano, sempre pregou a distinção entre a norma padrão da escrita e da língua falada coloquialmente. E, em tom de crítica, dizia que muitos romancistas construíam a personalidade dos personagens mais pobres e menos escolarizados de maneira estereotipada. A crítica feita por Suassuna evidencia um preconceito que para muitos é inexistente, mas que é um reflexo da segregação entre pessoas de renda, escolaridade, raça e regiões diferentes, o preconceito lingístico.
No livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, o personagem Fabiano, por ser analfabeto e falar de um modo considerado errado por seu patrão, vivia de forma subserviente e se sentia envergonhado por sua condição. Bem como Fabiano, muitas pessoas se sentem inferiores apenas por sua maneira de falar e de se expressar, sendo motivo de troça, como foi o caso do mecânico vítima de uma brincadeira na rede social Facebook, por conta de uma postagem feita por um médico que o atendeu na cidade de Serra Negra, em São Paulo.
Além disso, o Brasil é um país com um elevado número de variações linguísticas. A diversidade de palavras e expressões tornam algumas específicas de determinado estado ou região, por exemplo, a interjeição “ôxente” é característica da região Nordeste; ou a expressão coloquial “tchê”, muito falada na região Sul. Tais especificidades acabam se tornando munição para que o preconceito para com pessoas de diferentes regiões se expresse na forma de brincadeiras com o sotaque do outro falar, reforçando a necessidade de se falar sobre o preconceito linguístico.
Portanto, a fim de cessar tal problema, é de extrema importância que o Ministério da Educação com apoio de ONG’s locais, estabeleça e incentive o ensino das variantes linguísticas características de cada região, familiarizando desde cedo as crianças com as diferenças culturais do país. Em paralelo, é importante que as mídias sociais, como a televisão, promova programas e novelas com personagens locais e sem uma caricaturá-los e informe com maior frequência noticiários sobre regiões que são as mais estereotipadas, para que assim, essas pessoas se sintam representadas e imunes a preconceitos.