Preconceito Linguístico
Enviada em 15/10/2018
Sancionado em 2009, o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pretende unificar o código escrito nos países lusófonos. Apesar dessa unicidade escrita, a linguagem oral apresenta variações diversas, muitas das quais, lamentavelmente, são objeto de preconceito. Nesse aspecto, faz-se imperativo compreender os determinantes socioculturais dessa problemática, bem como o papel a escola em sua mitigação.
De início, observa-se que o preconceito linguístico é motivado por diferenças socioeconômicas. Isso ocorre porque grupos sociais abastados utilizam da linguagem como forma de diferenciar-se de classes sociais menos favorecidas, por meio, muitas vezes, de ridicularizações a sotaques. Nesse contexto, o linguista Marcos Bagno, na obra “Preconceito Linguístico”, assevera ser um mito que pessoas sem instrução falem errado. Percebe-se, desse modo, que o cerne dos preconceitos quanto à oralidade não se encontra no modo de falar, mas numa tentativa criar uma diferenciação de grupos da sociedade.
Além disso, é insuficiente a atuação escolar para mitigar as discriminações baseadas na linguagem. Com isso, a instrução regular, cuja base é a norma culta, aborda de forma incipiente sobre as distintas influencias idiomáticas apropriadas pelas regiões do país, o que não contribui para dirimir o preconceito. Nesse sentido, o sociólogo Paulo Freire defende o papel libertador que a educação deve ter, o qual é alcançado por meio do pensamento crítico e inclusivo. Essa determinação do patrono da educação brasileira é deturpada por escolas que não explicitam a subjetividade dos grupos sociais, o que propicia a manutenção do preconceito linguístico, uma vez que este.
É mister, portanto, a ação de agentes sociais no sentido de mitigar a propagação de discriminações pautadas na linguagem. Para tanto, o Ministério da Educação deve realizar campanhas esclarecedoras, as quais abordem sobre a diversidade linguística do país, por meio da divulgação de informações em mídias sociais e escolas, com o objetivo de dirimir o preconceito social latente. Por seu turno, as escolas devem estimular a valorização da subjetividade do indivíduo, por intermédio de saraus e palestras que tematizem sobre a diversidade linguística do país, com o fito de desconstruir a falsa noção de superioridade de alguma modalidade oral da língua. Assim, o preconceito com os falantes de variáveis regionais da língua será superado.