Preconceito Linguístico

Enviada em 15/10/2018

A língua possui uma infinidade de variações e isso é há muito tempo motivo de segregação devido à uma norma dita “padrão” da língua portuguesa, que acaba dando espaço para um tipo de preconceito social. Entende-se portanto que a padronização da norma culta em detrimento das demais, corrobora para tal segregação social, bem como a falta de entendimento para tratar todas as variantes de forma igualitária.

É indubitável que o preconceito linguístico está enraizado no Brasil e com um poder maior devido o uso das redes sociais. Isso porque, esses meios de comunicação são capazes de propagar o sotaque da fala de uma pessoa através de videos de formas sarcásticas, agredindo-a de forma verbal, com insultos a seu modo de pronunciar a língua. Por isso a formação de uma variante padrão a ser seguida intensifica tanto a gozação contra quem, por algum motivo, não consegue seguir esse tipo de pronúncia. O jornal, O Globo, destacou que as variantes linguísticas do sertão nordestino traz um alto índice de preconceito quando comparado com o restante do país.

Outrossim, destaca-se pela falta de entendimento da população para a  grande variedade presente no país. Pois, mesmo tendo origem da miscigenação de diversos povos, o brasileiro não consegue respeitar a riqueza de vocabulário presente no país como, um patrimônio nacional, que deveria ser preservado ao invés de sofrer constante repúdio. Assim como Mauricio de Sousa, traz em seus quadrinhos da turma da mônica, o personagem Chico Bento, é alvo de vários risos devido seu sotaque, bem como o próprio Cebolinha, que sempre troca o “r” pelo “l”. De acordo com o filósofo, Voltaire, “preconceito é opinião sem conhecimento.”

Entende-se, portanto, que obrigar que todos usem a norma padrão intensifica a exclusão social das variantes menos privilegiadas. A fim de atenuar a problemática em questão, o Ministério da Educação deve implementar na disciplina de língua portuguesa de todas as turmas dos ensino fundamental e médio, o estudo a longo prazo das diversas variantes linguísticas presentes no país, bem como o estudo da miscigenação na disciplina de história para que fique claro que, falar “errado” não é feio e sim um patrimônio que deve ser preservado devido sua carga histórica e mostrar que a dimensão do Brasil, jamais permitiria a unificação da língua como sotaque único. Pois estimular esse estudo na educação de base irá derrubar o preconceito futuro. Aos que atualmente foram vítimas de tal preconceito, o Ministério da Saúde deve disponibilizar psicólogos, para que faça a pessoa agredida entender que ela não está errada e que não precisa mudar seu jeito de se comunicar. Dessa forma o que foi dito por Einstein, “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito” não valerá de nada para o Brasil.