Preconceito Linguístico
Enviada em 15/10/2018
Na obra literária “Casa grande e senzala”, de Gilberto Freyre, o autor afirma a multiculturalidade do país como formadora de sua identidade nacional; não devendo ser segregada pelo preconceito. Por esse viés, no contexto brasileiro atual, nota-se a inferiorização das variações linguísticas, que ocorre devido à formação educacional incompleta, devido às discriminações nos meios midiáticos. Urge, portanto, subterfúgios para mitigar o problema.
Inicialmente, segundo o linguista Marcos Bagno, o preconceito é originado pela confusão entre gramática e língua, sendo a primeira valorizada em detrimento da segunda. Porquanto, o empecilho perpetua-se devido às arcaicas formas de ensino que visam a escrita normativa, mas não preparam os estudantes para comunicações contextuais.
Ademais, tal vicissitude possui influência dos meios de comunicação. Para o contratualista Jhon Locke: “o ser humano é como um quadro em branco que é preenchido conforme suas influências”. Por isso, os canais midiáticos, como a televisão, moldam a sociedade de acordo com estereótipos, na medida em que marginalizam personagens que comunicam-se de forma obstante a um modelo “correto”.
Infere-se, portanto, que a problemática possui raízes educacionais e culturais. Por isso, o Ministério da Educação deve, por meio de mudanças nas diretrizes curriculares das aulas de Língua Portuguesa, promover o acesso à pluralidade linguística, através de atividades lúdicas direcionadas por docentes qualificados no ensino das diferentes manifestações linguísticas. Ademais, os meios de comunicação devem promover o acesso às diferentes regionalizações para garantir a intercomunicação entre indivíduos de variadas regiões, podendo usar programas de televisão que ajudem a mitigar o entrave do preconceito mencionado. Com isso, a multiculturalidade, segundo Gilberto Freyre, será assegurada.