Preconceito Linguístico
Enviada em 14/10/2018
No século XVI, com o início da colonização europeia nas terras tupiniquins, os portugueses, por meio da ação dos jesuítas, impuseram seu modo de falar aos povos indígenas, visto que os colonizadores consideravam a forma de expressar dos autóctones errônea e não condizente com os padrões ditos como corretos. Analogamente, no Brasil hodierno, o preconceito linguístico ainda permanece latente na sociedade, uma vez que a falta de esclarecimento acerca da fala e da norma culta junto à influência midiática contribuem para potencializar o imbróglio sobredito.
A priori, infere-se que a falta das escolas em esclarecer a diferença entre fala e escrita colabora para a persistência do preconceito linguístico na comunidade brasileira. Nesse prisma, os colégios, de modo geral, priorizam o ensino da norma culta, a qual é tida como referência no momento de comunicar-se, e, com isso, tendem a desconsiderar a diversidade do tronco linguístico nacional, posto que há a valorização exacerbada da língua padrão sobe as demais variantes regionais. Diante disso, cria-se a falsa ideia de que somente a gramática normativa é correta, fato que acarreta a valorização de grupos dominantes, haja vista que os indivíduos que se expressam pela norma culta são denominados como elitizados e intelectuais, ratificando a exclusão social. A título de exemplo, segundo o site G1, vale citar o caso em que um médico, na cidade de Serra Negra-SP, debochou de um paciente que pronunciou a palavra “peleumonia” ao invés de pneumonia.
A posteriori, vale citar que a estereotipização de determinada variante linguística pela mídia contribui para a discriminação de inúmeros grupos sociais. Nesse viés, de acordo com Pierre Bourdieu, sociólogo francês, em sua teoria do habitus, a sociedade incorpora estruturas que lhe são impostas e, após adotar certo padrão, tende a reproduzir tal comportamento. Nesse contexto, os programas humorísticos, por meio da caracterização de determinados cidadãos, criam estereótipos que são, posteriormente, enraizados na civilização brasileira, assemelhando essa atitude ao pensamento supracitado e, por conseguinte, potencializando a implicância linguística.
São imprescindíveis, portanto, ações exequíveis para combater o preconceito linguístico no Brasil. Para tal, cabe às escolas, como centros formadores de púberes críticos, promoverem a discussão acerca da importância de valorizar as diversas variantes linguísticas regionais, por meio de palestras, as quais serão ministradas por antropólogos, com o fito de mitigar a discriminação ao modo de falar dos grupos sociais. Ademais, é fundamental que a mídia modifique o conteúdo que deprecie a maneira de expressar dos inúmeros cidadãos, por intermédio de documentários que mostrem o respeito à variação linguística, a fim de erradicar a visão estereotipada.