Preconceito Linguístico

Enviada em 16/10/2018

Nas histórias em quadrinhos da Turma do Chico, criado pelo cartunista Maurício de Sousa, o personagem principal é um caipira brasileiro que tem uma fala típica do homem do campo. No entanto, o personagem chegou a causar polêmica nos anos 80, uma vez que ao retratar o dialeto caipira ao invés da norma culta, os cidadãos achavam que isso faria com que as crianças falassem de forma errada. Nesse contexto, na atualidade, esse preconceito linguístico ainda é muito forte na sociedade, devido às questões históricas e sociais que continuam a impedir a valorização dos diferentes modos de falar de cada grupo ou região. Desse modo, desconstruir determinados preceitos linguísticos, principalmente nesse era pós moderna, é fundamental para vencer essa problemática.

Convém ressalta, a princípio, que a língua sempre foi utilizada como um importante instrumento de dominação social. Isso pode ser comprovado, quando se menciona o Nheegatu, uma língua que seria genuinamente brasileira, surgida no século XIX, e sendo mais falada que o português. Entretanto, devido a forte presença de padres jesuítas e as sequentes ações sociais para “salvar” o povo de um falar não civilizado, essa língua aos poucos foi esquecida e está em via de extinção. Por consequência disso, ao longo dos anos, essas raízes culturais, no qual demonstra a imposição de uma cultura e língua sobre as demais,  fizeram com que os cidadãos mesmo que inconscientemente fizessem distinções de cunho preconceituoso sobre determinado dialeto ou expressão diferente do seu, contribuindo para a permanência dessa rejeição social.

Por outro lado, vale salientar que segundo o escritor e linguista brasileiro Bagno,criou-se na sociedade uma espécie de padrão, visto que somente à norma culta é valorizada, principalmente na fase estudantil em que há uma tendência do ensino da língua portuguesa em querer que os alunos pronunciem do jeito que escrevem. Porém, nessa era pós-moderna, isto é uma realidade distante, haja vista que com o surgimento da internet houve uma maior dinamização da língua, criando-se até mesmo uma nova. Dessa forma, adequar os estudantes a se comunicarem de acordo com a situação comunicativa seria um viés para o respeito a essa diversidade.

Portanto, percebe-se que apesar do Brasil ainda ser uma nação rica em dialetos é imprescindível a conservação e manutenção dos mesmos, bem como instruir as gerações sobre as diversas situações comunicativas. Para tanto, o Governo Federal em parceria com Ministério de Cultura, promover  catalogação das diferentes línguas, sendo uma forma de incentivo para a perpetuação de costumes. Além disso, o Ministério da Educação investir na capacitação dos professores para que não sejam perpetuadores desse preconceito. Pois, isso seria uma forma de valorizar essa heterogeneidade.