Preconceito Linguístico
Enviada em 14/10/2018
Marcos Bagno, linguista brasileiro, denuncia o preconceito linguístico em sua obra de mesmo nome, defendendo a ideia de que língua e gramática são conceitos distintos que se relacionam, mas não devem ser confundidos. É sob essa perspectiva que ele coloca a língua na posição de instrumento vivo e a gramática como referencial de consulta. Dessa maneira, a gramática não é lei, e a língua, como “organismo”, é dinâmica e não carece de patrulha para ser exitosa em sua função: a comunicação.
Nessa toada, quando se considera que a língua portuguesa possui diferentes variedades e seus falantes possuem sotaques, classes sociais e níveis de instrução distintos, deveria ser natural aceitar o fato de que esses fatores levariam a formas de expressão diferentes, que muitas vezes se distanciam do que convencionou-se denominar, de forma arrogante, norma padrão. É com essa prerrogativa que muitos menosprezam as variedades consideradas de menor prestígio, por conta de desprezo ou apenas autoafirmação.
Entretanto, cabe salientar o caráter unificador que a norma possui, sendo, dessa forma, facilitadora do processo comunicativo, especialmente em textos direcionados às massas. Ainda assim, deve ser rechaçado seu uso como mecanismo de constrangimento. Em última análise, é tosco pensar em uma patrulha da língua, quando todos, em algum momento, já cometeram deslizes. O aprendizado é um processo contínuo e, sendo assim, todos possuem telhado de vidro.
Portanto, o Ministério da Educação deve adicionar, como pressuposto do ensino de Língua Portuguesa na Nova Base Nacional Comum Curricular, a exposição às variantes da língua portuguesa. Esse esforço deve ser empreendido com a participação das escolas, por meio de palestras que naturalizem as variedades não padrão da língua e, ainda assim, divulguem os benefícios do estudo da norma padrão, a fim de mitigar o preconceito linguístico para Bagno, no futuro, identificá-lo como um totem do passado.