Preconceito Linguístico
Enviada em 14/10/2018
Aquarela diatópica
Nicolau Maquiavel, filósofo italiano, disse, certa vez, que os preconceitos têm raízes mais profundas que os princípios. Paralelamente, no Brasil atual, tem-se que as variedades linguísticas enfrentam obstáculos no que tange à escrita e a fala seja pela ideia de padronização normativa, seja pela estereotipização midiática.
A priori, compreende-se a existência da problemática nos centros estudantis, uma vez que a insuficiência na diferenciação da fala e escrita ocorre. Nesse contexto, observa-se a propagação nas escolas do mito que a maneira correta de falar é norma culta, o que acaba gerando o aumento dessa disparidade social. Consoante disso, Michel Foucault, filósofo francês, explica, por meio da teoria da microfísica, que o poder exercido equivocadamente se torna dominação. Nesse viés, infere-se que a falsa ideia de correto acaba fortalecendo as camadas dominantes, ditas como elitizadas e intelectuais, ratificando a querela social.
A posteriori, vale citar que a estereotipização da mídia contribui para a discriminação de diversos grupos sociais. A título de exemplo, tem-se a minissérie da Globo “Gabriela” que retrata o sertão baiano em que os personagens populares falam com suas determinadas variações regionais, colaborando para a ideia supracitada. Desse modo, vê-se que a aquarela brasileira multicaracterística tornou-se um lugar onde a busca pelo progresso convive, paralelamente, com o subjugo dos indivíduos que não se expressam pela norma culta
São imprescidíveis, portanto, ações exequíveis para combater o preconceito linguístico no Brasil. Para tal, cabe às escolas, como centros formadores de púberes críticos, promoverem a discussão acerca da importância de valorizar as diversas variantes linguística diatópicas, por meio de palestras, as quais serão ministradas por antropólogos, com o fito de mitigar a discriminação ao modo de falar dos grupos sociais. Ademais, é fundamental que mídia modifique o conteúdo que deprecie a maneira de expressar dos inúmeros cidadãos, por intermédio de documentários que mostrem o respeito à variação linguística, afim de erradicar a visão esterotipada. Assim, a nação brasileira afastar-se-á do panorama exposto no período colonial.