Preconceito Linguístico

Enviada em 13/10/2018

Machados  & Gracilianos

Machado de Assis, grande escritor do século XIX, retrata do seu ponto de vista crítico social por meio de suas obras, repletas de elementos da cultura carioca com suas gírias e expressões típicas.  Enquanto isso, no século XX, o alagoano cronista Graciliano Ramos encheu a literatura com seu romantismo nordestino. Machado e Graciliano não só retrataram suas épocas e seus ideais de uma maneira fantástica, como também, demonstraram que é possível fazer parte do importante acervo literário brasileiro, mesmo com todos preconceitos linguísticos impostos por uma sociedade que não respeita divergências.

O português, os dialetos africanos e as diversas línguas indígenas entraram em choque no período colonizador, promovendo a formação de uma língua geral brasileira. Entretanto, a mudança não parou por aí, as diferenças linguísticas principiaram quando estes principais pilares étnicos passaram a se espalhar de maneira heterogênea nas regiões do país, deixando a língua mais conveniente ao falante que lá se encontrava em maior quantidade. Desta forma, é visto que embora a língua tenha tido um princípio formador comum, a sua diferença regional tem matrizes históricas justas nos campos histórico, social e geográfico, sendo dignas do devido respeito.

Ainda que o português falado no Brasil tenha uma estrutura comum à todos, há infelizmente um preconceito presente entre pessoas de diferentes estilos linguísticos. Neste meio hostil, busca-se inferir a presença de uma “língua correta”, desrespeitando toda bagagem cultural presente nessa diversidade de falantes e causando uma batalha por superioridade desnecessária. Por conseguinte, o poder legislativo entra na procura por uma não perturbação do bem estar social de seus cidadãos, já que todos, independente do meio em que se vive, são iguais.

Portanto a necessidade de se acabar com o preconceito linguístico é inegável, caso o país busque continuar em um desenvolvimento efetivo e saudável, sem paradigmas. Sendo assim, o Governo Federal juntamente com os meios midiáticos poderia promover propagandas para exposição da diversidade cultural nacional e sua importância na formação total do país em que vivemos, sendo as divergências linguísticas uma consequência merecedora de orgulho. Além disso, o Ministério da Educação em parceria com ONG’s poderia demonstrar em palestras escolares aos pais e alunos, mostrando o quão o preconceito aos diferentes falantes é um crime e sua permanência na sociedade é errônea. Desta forma, poderemos finalmente observar um país caminhando rumo a um futuro próspero sem preconceito, onde machados e gracilianos possam continuar a se misturar e orgulhar a nação.