Preconceito Linguístico
Enviada em 13/10/2018
Nota-se que, mesmo após avanços constitucionais, o preconceito linguístico perdura no Brasil hodierno, devido à questão da discriminação social e ao desrespeito às variações linguísticas.
É inegável que o desacordo entre os direitos constitucionais e sua aplicação esteja entre as causas do problema. Apesar de a Constituição de 1988 garantir o direito à isonomia, muitas pessoas são discriminadas nas ruas e em redes sociais devido ao uso da modalidade informal da língua, ou pelo emprego de gírias e neologismos. Em suma, a variedade linguística empregada é utilizada como meio de identificar e excluir aqueles pertencentes ao interior, à comunidades e de baixo grau de instrução.
Outrossim, o desrespeito às variações linguísticas pode ser apontado como impulsionador do problema. De acordo com o educador brasileiro Paulo Freire, não há saber mais ou saber menos, mas saberes diferentes. Tal postura de valorização cultural deve ser adotada para cessar o preconceito em relação às variedades nordestina, gaúcha e mineira, por exemplo.
É necessário, portanto, que o Ministério da Educação, juntamente às secretarias municipais, crie projetos de integração social e linguística. Essa medida pode ser realizada através da troca de experiências entre alunos de escolas de todas as regiões brasileiras por videoconferências e intercâmbios, além do incentivo aos filmes e à literatura regionais em festivais culturais com ampla divulgação midiática para que os múltiplos saberes linguísticos sejam conhecidos e valorizados como um patrimônio cultural brasileiro.