Preconceito Linguístico

Enviada em 28/10/2018

Cogita-se com bastante frequência, a discussão acerca do preconceito linguístico no Brasil. No entanto, essa questão percorre de norte a sul, de leste a oeste, todos os estados da nação, de maneira intensa e recorrente, principalmente pela vasta extensão do território brasileiro e a discriminação das “gírias”. De acordo com o gramático Evanildo Bechara, “precisamos ser poliglotas em nossa própria língua”. Dessa forma, há dois fatores que não podem ser negligenciados: supervalorização da norma padrão e, em consonância, segregação racial.

Em primeira análise, vê-se que a valorização da norma culta em detrimento das variantes, sobretudo nas escolas que acabam se tornando lugares excludentes. Ao considerar uma única possibilidade de realização da Língua Portuguesa como sendo a correta, a escola propaga o mito de que existe uma unidade linguística no Brasil, e desconsidera que o português falado no Brasil é marcado pela diversidade. Ao se definir um padrão de língua como único correto, e a sociedade despreza as demais variedades existentes e se estabelece um preconceito em relação a elas.

Ademais, vale destacar que a mídia muitas vezes utiliza a linguagem como forma de ridicularizar os falantes não adeptos à gramática, inserindo, mesmo que de forma subjetiva, o preconceito linguístico na sociedade. O preconceito linguístico é decorrência de um profundo e arraigado preconceito social que recai não sobrea maneira de falar de uma determinada pessoa, mas sim sobre a própria pessoa, em sua identidade individual e social. Além das consequências desse impasse vão desde a segregação racial, inclusive marginalizando classes, até o surgimento de danos psicológicos.

Diante dos argumentos supracitados, fica evidente que a nação deve se voltar para essa questão desigual e excludente. Desse modo, a escola e o corpo docente devem considera a realidade do corpo discente e procurar realizar práticas e procedimentos que valorizem as vivências e a realidade dos alunos, a fim de que eles se sintam valorizados, tanto como indivíduos quanto como falantes da língua. A mídia com seu intenso poder de influenciar na vida das pessoas, pode prestar um serviço mais útil em relação aos comportamentos linguísticos, buscando levar ao público o respeito a todas as variedades linguísticas e com isso, combater os diversos preconceitos inserindo em nossa sociedade.