Preconceito Linguístico

Enviada em 25/10/2018

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de estabilidade nas relações sociais, políticas e econômicas é fruto da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI. Tal teoria evidencia as relações sociais marcadas por superficialidade e fluidez, que contribuem para a instabilidade social frente ao respeito das variantes linguísticas. Nesse contexto, a segregação social coadjuvante à zombaria são alguns dos fatores que influenciam, substancialmente, para o crescente preconceito linguístico.

Nessa perspectiva,é notório que, mesmo em uma sociedade pós-moderna, ainda o preconceito aos sotaques e dialetos se faz presente em partes do tecido social.Sob esse viés, tal infortúnio se configura porque tradicionalmente a variante linguística adequada seria aquela que mais se assemelha as normas gramaticais, porém essa ótica não se depreende a valorizar a linguagem regional e cultural de um povo que é de suma importância para a manutenção da identidade nacional.Desse modo, os indivíduos que não se adéquam ao “modo correto de falar”,infelizmente, estão sujeitos a sofrer repressão,bem como aqueles que valorizam os dialetos regionais como Ary Ribeiro em seu livro Aquarela do Brasil  que expressa a importância da diversidade e costumes e tradições são desvalorizados.Desse modo, é evidente que há uma inversão de valores que deve ser corrigida, mostrando que tanto a linguagem culta quanto a linguagem regional devem ser valorizadas e não sobrepostas.

Outrossim, o preconceito linguístico para as pessoas que tem um nível de escolaridade reduzido e não se expressão de maneira coerente é o mais presente na sociedade brasileira. Sem dúvida pode-se verificar esse tipo de expressão nos versos do poeta Oswald de Andrade que diz “:Para dizerem milho dizem mio para melhor dizem mió para pior pior, para telha dizem teia para telhado dizem teiado. E vão fazendo telhado”. Esse tipo de preconceito acentua mais ainda a desigualdade social no país, pois a língua está totalmente ligada à estrutura de valores da sociedade, e os falantes de norma culta são aqueles que apresentam maior nível de escolaridade e poder aquisitivo. Desse modo, evidencia-se,com isso, que os indivíduos que sofrem discriminação linguística tendem a desenvolver problemas de sociabilidade e, até mesmo, psicológicos.

É evidente, portanto, que a língua é um fator decisivo na exclusão social. Por isso, o preconceito linguístico deve ser combatido. Destarte, o Governo Federal, em parceria com a Mídia, deve realizar ações de combate a  discriminação linguística, por meio de propagandas e campanhas de encontro a segregação social e a intolerância, com ênfase no respeito as variantes retóricas, a fim de que ocorra uma maior integração desses grupos falantes na sociedade.