Preconceito Linguístico

Enviada em 11/10/2018

Segundo Sartre, filósofo francês, o ser humano é livre e responsável; cabe a ele escolher seu modo de agir. No entanto, tal afirmação se demonstra equívoca quando relacionada ao ‘‘preconceito linguístico’’. Haja vista que fatores históricos, sociais e culturais estabelecidos desde o período clássico, lançaram nos indivíduos seres inerentes da sociedade um imperativo a ser seguido. Além de leis que não representam as variedades linguísticas e diversidades regionais brasileiras. Convergindo assim, a problemática para os dias atuais.

Nas grandes pólis gregas como a de Atenas, os cidadãos portavam da forte presença da cultura, da arte, da filosofia, entre outras áreas do conhecimento que permeavam as relações sociais do coletivo em prol de um modelo de ‘‘perfeição’’. Ideais estes, aderidos na cultura europeia e consequentemente com o advento das ‘‘grandes navegações’’, professados nos demais continentes. No Brasil, se torna notório os resquícios coloniais de interferências na perpetuação das linguagens de grupos indígenas que existiam, exemplificado na carta de Pedro Álvares Cabral, em que o mesmo relata que os nativos brasileiros não possuíam R de rei, L de lei e F de fé. De acordo com o sociólogo Macros Bagno ’’ podemos amar e cultivar nossas línguas, mas sem esquecer o preço altíssimo que muita gente pagou para que elas se implantassem como idiomas nacionais e línguas pátrias’’. Analogamente, percebe-se a necessidade da tomada de consciência por parte da população com o viés de romper as ideologias pré-estabelecidas de controle político e social como previa Karl Marx.

Os prolongamentos etnocêntricos sofridos tanto pelos indígenas quanto pelos escravos africanos (trazidos à força e separados de seus grupos para não estabelecerem comunicação), insistem em se perpetuar nas ‘‘sociedades complexas’’, termo conceituado por Durkheim. A adoção de um língua oficial por parte do governo demonstra a tentativa de concretizar um controle político-social, atrelado ao slogan ‘‘Um Estado,uma  língua,uma nação’’.Parafraseando as concepções de Bagno, as escolas deveriam exercer um papel de acolhimento linguístico partindo da premissa do ‘‘respeito’’ e não da ’’ discriminação’’, fato esse, que vem aumentando no panorama nacional.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessária para resolver o impasse. É preciso que o Governo Federal, juntamente com o Ministério da Educação, garantam efetivamente o estudo histórico da formação cultural brasileira e não frise a ‘‘supremacia’’ da cultura erudita europeia, propiciando aos futuros cidadãos uma estruturação cientifica social para formar sua opinião a respeito do debate apriori. É vital que o Ministério da Tecnologia crie um aplicativo contendo os dialetos e costumes de cada região do brasil ,disponibilizando o acesso e a informação para a população.Concretizando as premissas Sartriana.