Preconceito Linguístico

Enviada em 18/10/2018

A língua é um dos principais instrumentos da comunicação, essa, por sua vez, segundo o filósofo Jurgen Habermas é um pilar fundamental da democracia, visto que por meio do diálogo e da participação há harmonia de interesses e, portanto, chega-se a um bem comum. Contudo, o preconceito linguístico tem ruído tal base democrática, uma vez que vai ao desencontro do direito à igualdade e não discriminação.

É notório que, no Brasil, há uma enorme variedade linguística. Essa heterogeneidade deve-se, principalmente, às diferentes ocupações do território e ao sincretismo das línguas. Entretanto, a pluralidade é, por vezes, tratada com descriminação e segregação social. Como possível causa para o preconceito linguístico, tem-se a criação de estereótipos, por parte da mídia, a qual, por vezes, em novelas, não representa a variante da língua de forma adequada, deixando-a muito carregada.

Além disso, de acordo com a psicanálise de Freud, as experiências vividas na infância influenciam o comportamento das pessoas em toda a vida. No entanto, as relações interpessoais estão cada vez mais frágeis, inviabilizando, portanto, a formação individual. Dessa forma, a vulnerabilidade nesse elo tão importante entre as crianças e os pais, contribui para a perpetuação do preconceito linguístico, uma vez que cabe à família a construção de um pensamento crítico a respeito da intolerância.

Logo, a fim de garantir ao cidadão o direito à igualdade e não discriminação é necessário que os roteiristas das novelas, ao escolher alguém para representar uma determinada língua, opte por atores da região na qual essa é falada, uma vez que a representação será mais fidedigna, não contribuindo para os estereótipos. Ademais, é fundamental que ONGs, por meio de palestras nas comunidades, mostrando o quão importante é o papel da família para a formação individual.