Preconceito Linguístico
Enviada em 11/10/2018
De acordo com o autor Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor representa o respeito pela dignidade humana. Entretanto, em virtude da crise de valores éticos e morais vigente no cenário sociocultural, tal solidariedade é enfraquecida devido a negligência escolar e baixa representatividade midiática, o que colabora para a perpetuação de práticas autoritárias, intolerantes e preconceituosas no que diz respeito o sistema linguístico brasileiro. Assim, se faz necessária uma análise crítica acerca dessa problemática nacional.
Primeiramente, vale ressaltar a importância do sistema educacional na construção de projetos didáticos que auxiliem na formação do senso crítico individual, assim como constatou o filósofo Immanuel Kant, “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Contudo, os centros acadêmicos brasileiros não realizam com efetividade campanhas que tenham enfoque o aprofundamento de questões socioculturais, históricas e regionais que contribuem para o entendimento das diversificadas manifestações verbais. Ademais, tal insuficiência didática colabora para a proliferação de concepções morais intolerantes, as quais alegam erroneamente sobre o sistema linguístico ser unitário. Por conseguinte, é comum a aplicação de práticas preconceituosas em regiões periféricas brasileiras que apresentam gírias e sotaques variados, como é o caso de muitas cidades do interior de Pernambuco.
Outrossim, é fundamental destacar a utilização de uma dialética culta e unitária por parte das grandes indústrias midiáticas brasileiras, o que acaba por privilegiar àquela parcela metropolitana proveniente de uma educação de qualidade. Em vista dessa segregação proporcionada pelas mídias, grande parte das classes desfavorecidas sofrem o que o filósofo Pierre Bourdieu chama de violência simbólica, ou seja, exclusões e discriminações, por exemplo em centros trabalhistas e acadêmicos, de indivíduos com níveis escolares e culturas regionais linguísticas diferentes das pregadas pelos grandes meios publicitários urbanos, o que causa danos morais e psicológicos nessas vítimas de intolerância.
A imoralidade em crise deve, portanto, ser superada para que o preconceito linguístico seja substituído pela solidariedade geral. Logo, é preciso que Secretarias regionais de Educação incitem escolas a realizarem, por meio de subsídios estatais, projetos lúdicos e acessíveis, como palestras, a fim de construírem noções históricas, culturais e de respeito às variações dialéticas brasileiras. Concomitantemente, o Ministério da Defesa, em parceria com secretarias de assistência social e através de incentivos fiscais, deve promover ações governamentais a fim de otimizarem verbas e adotarem um sistema de proteção especial às vítimas de violência por discriminações linguísticas, reintegrando plenamente e socialmente tais indivíduos.