Preconceito Linguístico

Enviada em 15/10/2018

No início do século XX, a primeira fase do Modernismo, no Brasil, inaugurou uma ruptura com o modelo de arte tradicional, valorizando a linguagem coloquial e regional do país. Entretanto, na sociedade atual, o enaltecimento de um modo de falar formal e erudito evidencia o preconceito linguístico existente. Desse modo, os entraves para combater à tendência de tornar a língua homogênea está relacionado com aspectos históricos e aspectos sociais.

Em primeiro lugar, o processo de colonização brasileira é um dos fatores agravantes dessa problemática. Com a chegada dos lusitanos no país e a ideologia de que os europeus eram superiores com relação às outras nações, a imposição de uma cultura e língua aos nativos foram impulsionadas na tentativa de civilizar os indígenas. Analogamente, apesar da enorme extensão territorial do país e o contato com diversas culturas, devido aos processos migratórios para o Brasil, nota-se uma sociedade intolerante à pluralidade linguística e à língua popular, prestigiando a gramática normativa e o modo de falar formal.

Em segundo lugar, a falha dos agentes transformadores da sociedade e a atitude de julgamento com relação à diversidade do dialeto são barreiras para o reconhecimento da heterogeneidade da língua. “Não existe pleumonia”, foi a frase escrita em um receituário por um médico em São Paulo, em 2016, após zombar da linguagem de um paciente. Dessa forma, percebe-se a negligência dos indivíduos no que se refere ao dialeto de grupos com baixa escolaridade e a difamação dos sotaques das regiões brasileiras,principalmente do nordeste, criando estereótipos e potencializando o processo de exclusão social.

Infere-se, portanto, a necessidade de combater o preconceito e compreender que a língua é diversificada. Para que isso ocorra, a mídia deve divulgar a existência das diversas expressões da linguagem, por meio de novelas com personagens reproduzindo o sotaque de diversas regiões e grupos distintos,a fim de acabar com a discriminação e imposição de uma língua superior a outra. Por fim, as escolas, juntamente com as ONG`s, devem desconstruir estereótipos e ensinar a valorização dos diferentes dialetos que compõem a língua brasileira, com o aprimoramento de aulas de variedades linguísticas e literatura brasileira, com o objetivo de combater as exclusões sociais e respeitarem o modo de falar dos indivíduos.