Preconceito Linguístico
Enviada em 15/10/2018
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito de se expressar livremente. Conquanto, ao analisar o preconceito contra maneiras de comunicação distintas da normatividade, sobretudo contra camadas marginalizadas, é possível notar que esse direito não está sendo concedido. Nesse ínterim, é conveniente discutir sobre as problemáticas da existência do preconceito linguístico no Brasil.
À priori, sabe-se que a terra tupiniquim é multicultural em detrimento da colonização portuguesa sobre os índios, da vinda forçada de negros e da chegada de imigrantes europeus nos séculos durante o período dos séculos XV e XVIII. Assim, hodiernamente, a fusão de elementos culturais ao longo dos mais de 500 anos de formação da identidade nacional foi responsável por criar inúmeras variantes linguísticas, manifestadas por meio de gírias, sotaques e regionalismos.
Entretanto, existe uma parcela da população intolerante quanto à tal diversidade. Um exemplo de opressão aconteceu em Serra Negra, interior do estado de São Paulo, o qual um médico debochou de um paciente nas redes sociais com as seguintes palavra : “não existe peleumonia nem raôxis”.A vítima da humilhação foi um mecânico que sequer tinha concluído o ensino fundamental. Em vista disso, pode-se infringir que a segregação linguística é reflexo de um corpo social cada vez mais intolerante com pessoas as quais não se expressam com o uso da gramática, tão glamourizada e tida como a “única correta”.
Dessarte, é necessário que medidas de combate à tal discriminação sejam tomadas. Dessa forma, o Ministério da Educação e da Cultura junto ao YouTube devem criar propagandas de valorização de todas as manifestações linguísticas, como os regionalismos nordestinos. Elas serão, portanto, visualizadas antes de começar um vídeo da plataforma digital, embelezando-as como a língua padrão é prestigiada.