Preconceito Linguístico
Enviada em 11/10/2018
De acordo com o linguista Marcos Bagno, hodiernamente, a discriminação com base no modo de falar é encarada com naturalidade pela sociedade brasileira.Consoante a isso, é incontrovertível que a língua é um mecanismo de coerção social complexa e sutil.Nesse contexto, deve-se analisar como a herança histórico-cultural e o modelo pedagógico influenciam no problema em questão.
A priori, a herança histórico-cultural é um dos principais responsáveis pelo problema.Isso acontece porque a linguagem chamada de norma culta foi construída ao longo do tempo por um grupo social dominante.A partir do momento em que associamos a dicotomia do certo e do errado a uma língua, automaticamente marginalizamos pessoas do interior, de baixa escolaridade e pobres.Por consequência disso, segundo o sociólogo britânico Nick Couldry, quando um grupo privilegiado determina regras gramaticais a serem seguidas, há uma exclusão de outros grupos, visto que a desigualdade na fala condena os excluídos à inexistência,afetando até mesmo a democracia.
Além disso, nota-se, ainda, que o próprio modelo pedagógico ajuda a desenvolver o preconceito linguístico.É preciso ressaltar que,infelizmente,quando o aluno escreve ou fala algo fora da norma padrão na escola isso não é tolerado.Cabe reconhecer, no entanto, que esse preconceito faz com que os alunos se sintam humilhados e intimados com a possibilidade de cometerem erros.Em decorrência disso,a filosofa Viviane Mosé defende que é preciso produzir uma educação contemporânea, e são as variedades linguísticas que tornam a língua viva.
Espera-se, assim, que medidas como a introdução pelos linguistas e professores,respectivamente, em livros didáticos e na sala de aula,sobre a discussão e aceitação das diferentes e plurais formas de comunicação dos brasileiros torna-se necessária.Devendo-se ressaltar a riqueza cultural que a língua propicia ao país, a fim de que esse tipo de preconceito velado e instrumento de distinção de classes seja minimizado.