Preconceito Linguístico
Enviada em 10/10/2018
O lema da bandeira brasileira, baseado em ideais positivistas, é respaldado diante de um pressuposto: ordem e progresso. Entretanto, essa realidade não é posta em aplicação, haja vista o rompimento das engrenagens sociais com as formas variantes da língua e, consequentemente, com o avanço. Nesse sentido, a depreciação linguística está eivada por desconsiderações das formas ativas e plurais das falas. Isso porque, além de uma ineficácia do modelo educacional vigente, também há uma influência histórico-cultural -perpetuada pela mídia.
A Carta Magna -maior hierarquia jurisdicional do país- garante o direito a uma educação equitativa e transformadora a todos. Todavia, a prática deturpa a teoria, uma vez que que grande parte das escolas atuais -desprovidas de um ensino bem remunerado- cria barreiras para o crescimento do patrimônio cultural pois da à língua padrão primazia em relação aos vocabulares mais regionalizados. Com esse cenário excludente e retrógrado, há um aprendizado baseado em uma gramática normativa totalmente eurocêntrica e alheia à cultura da nação: marcada por uma rica miscigenação. Em decorrência dessa fragilidade atuativa -distorcida dos princípios do emblema nacional- o ambiente acadêmico forma indivíduos inseguros e arrogante à sua própria realidade, de tal forma a mascarar o preconceito social.
Somado a isso, durante o período colonial, o Ministro Marquês de Pombal instituiu a língua portuguesa como oficial, de maneira a desconsiderar as existentes. Isso posto, coube a mídia (propagandas, filmes e novelas) propagar esteriótipos da fala, de maneira a não considerar a mutabilidade sociolinguística. Tal realidade destrutiva contribui para implantar a necessidade de atingir um padrão da comunicação, como se fosse, de fato, a comum a mais de 200 milhões de brasileiros. Desse modo, é fácil elucidar a teoria do ‘‘habitus’’, conceituada pelo sociólogo Pierre Bourdieu, quando afirmou que a sociedade incorpora,naturaliza e reproduz as estruturas da realidade. Assim, o que esperar das futuras gerações é uma notória marginalização das pessoas sem formação escolar.
Destarte, é inegável a disfunção dos agentes sociais. Portanto, para coibir isso, o Congresso Nacional deve ampliar o setor educacional, por meio de maiores investimentos financeiros em projetos educacionais abertos a comunidade -os quais serão possibilitado por uma alteração na Lei das Diretrizes Orçamentárias- a fim de uma formação cidadã que saiba utilizar a língua de acordo com as situações e não romper definitivamente com os dialetos usuais. Paralelamente, cabe a Mídia Televisiva criar propagandas universais, sob respaldo estatal, por meio de discursos que mostrem, diariamente, todas as falas regionais. Espera-se, com isso, debater e desconstruir esteriótipos linguísticos. Dessa maneira, a longo prazo, poder-se-á admitir o progresso sem desconsiderar a ordem.