Preconceito Linguístico

Enviada em 11/10/2018

O sociólogo americano Willian Sumner, ao dizer “desviamos toda a nossa atenção para a tola questão de A estar se saindo tão bem quanto B, quando a única questão é saber se A se saiu tão bem quanto poderia”, descreve a imprudente atitude de grande parte da sociedade atual em relação às variações linguísticas do Brasil, uma vez que tomam a fidelidade à gramática como paradigma comunicativo e descartam o contexto em que a fala esteve/está inserida, valendo-se do preconceito.

Em primazia, é fato afirmar que a educação é elemento crucial para a construção de um país. Atualmente, estando entre as dez maiores economias do mundo, é racional presumir que o ensino púbico no Brasil é sobremaneira eficaz. Conquanto, a realidade é o oposto disso: cerca de 11,5 milhões de pessoas são analfabetas. Dessa forma, a cultura, o sotaque, a pronúncia e as gírias das várias regiões caracterizam-se como os poucos, sendo muitas vezes os únicos, elementos definidores da fala dessa parcela da sociedade.

Sob esse viés, o falar é aprendido por meio da convivência e moldado conforme a realidade em que a pessoa se encontra. Assim, muitas vezes, essa situação é agravante ao indivíduo, pois o seu mais importante recurso de integração social – a fala – é comumente reprimido pela mídia, uma vez que essa difunde estereótipos pejorativos em função do modo de falar (como o termo “caipira” ou “da roça”), e também pela sociedade em geral, a qual não tem a ciência de que a gramática normativa é apenas um mecanismo proporcionador da linguagem - não a linguagem em si - e é ensinada pelas escolas que essa ela é a única maneira “correta” de se falar.

Fica evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para combater o preconceito linguístico fortemente presente no Brasil. Para tal, a mídia, deve parar de estereotipar os personagens de acordo com sua fala e prestar campanhas, por meio da contribuição do Estado, na internet e nos rádios, que incentivem o público a conhecer e combater o preconceito linguístico. Ademais, devem ser apresentadas nas escolas as diversas formas de linguagens utilizadas no Brasil, por meio do estudo das variações linguísticas, e seus contextos socioculturais de formação. A partir dessas ações, a única questão apontada por Sumner será atingida; promovendo, assim, maior compreensão e respeito mútuo na sociedade brasileira, diminuindo o preconceito.