Preconceito Linguístico
Enviada em 10/10/2018
De acordo com o poema Pronominais escrito na primeira geração modernista, por Oswald de Andrade, seria importante reduzir a distância entre a linguagem falada e a escrita. Nesse sentido, não haveria espaço para o preconceito linguístico, hoje tão evidenciado com a discriminação linguística e hierarquização da mesma.
Mormente, ao avaliar o português ocorre uma manutenção de mitos históricos sobre o idioma. À vista disso, é interessante ressaltar o não reconhecimento das variantes faladas no Brasil, as quais, estão sujeitas a aspectos históricos, geográficos e culturais, logo não deve ser vista como um organismo estático e homogeneizado. Diante disso, Marcos Bagno traz no seu livro Preconceito Linguístico a ideia de que não existe forma certa ou errada e sim adequação, mostra assim, a riqueza do caráter multilíngue brasileiro.
Outrossim, vale lembrar que essa situação é corroborada por uma exaltação da norma gramatical em detrimento das variantes. Lamentavelmente, tal perspectiva faz com que alguns grupos da sociedade fiquem excluídos, como os surdos, os quais utilizam a Linguagem Brasileira de Sinais -Libras- que mesmo sendo a segunda língua oficial do país não é tão privilegiada. Dentro dessa lógica, nota-se uma imposição vinda do processo de colonização como instrumento de distinção pela população culta.
Urge, portanto, um posicionamento da comunidade escolar e sociedade para mudanças. Posto isto, o professor pode trabalhar em sala as variantes do idioma com debates, de forma a levar o conhecimento sobre como a língua é flexível e abrangente, desfazendo o estigma do português correto como sedo só a norma culta. Além disso, esse trabalho da escola pode ser levado aos pais através de Saraus, nos quais os alunos apresentassem os conhecimentos adquiridos sobre o tema. Dessa maneira iriam surgir cidadãos mais conscientes do seu idioma e da diversidade do mesmo, aproximando assim a fala da escrita na importância com tolerância e respeito ao diferente.