Preconceito Linguístico
Enviada em 10/10/2018
Durante a Colonização Portuguesa, foi “ensinado” aos indígenas o idioma português e posteriormente, no período da escravidão, foi imposta a Língua Portuguesa como meio de comunicação. Com isso, e com a miscigenação dos povos houve uma variação na pronúncia que atualmente é alvo de preconceitos. Diante disso, faz-se necessário a elaboração de meios para redução de casos de discriminação motivados pela variação linguísticas.
O professor e escritor Marcos Bagno aborda, em seu livro “Preconceito Linguístico”, sobre os mitos acerca da língua portuguesa, sendo um deles de quem não possui instrução fala errado. Este senso comum é relacionado por ele ao posicionamento social e aos diferentes meios de ensino, assentindo com o pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu. Seguindo esses pensamentos, aqueles que vivem nas periferias terão modos de falar diferentes da elite, pois os acessos que tiveram durante o aprendizado da língua e a cultura onde vivem são diferentes.
Além disso, o método tradicional de ensino da língua, também discutido por Marcos, intensifica a discriminação, pois o atual ensino trata apenas de ortografia e, por não ser um método atrativo, torna-se uma barreira para o aprendizado. Além do mais, cria uma falsa imagem de quem fala português, ou outra língua, corretamente é quem sabe as normas gramaticais. Esse pensamento é motivo, para alguns, se imporem como “falantes corretos” da língua e menosprezarem aqueles que possuem uma variação na fala. Exemplo disso são as charges humorísticas que utilizam sotaques, expressões regionais e outros.
Sendo assim, é necessário, portanto, que o Ministério da Educação (MEC), juntamente com as instituições de ensino brasileiras, incentive métodos atrativos de ensino como, por exemplo, leitura de livros que abordem sobre variação linguística e, através de discussões, desenvolva o pensamento crítico dos alunos. Também pode ser implementado, pelo MEC, na grade curricular brasileira a disciplina “Educação Social” para tratar de assuntos como bulling, por exemplo. Além disso, o MEC deve investir na construção e ampliação de escolas e bibliotecas nas periferias para que o ensino ofertado no país seja o mais igualitário possível.