Preconceito Linguístico
Enviada em 10/10/2018
Oxente. Ôxe. Mermão. Essas são uma das variações das mais de duzentas línguas diferentes que há no Brasil, desde as já existentes entre os indígenas às já trazidas pós colonização, segundo Marcos Bagno. Embora elas falem muito de um povo, sua existência tem sido ameaçada por uma imposição de um padrão escolar e sendo ridicularizadas nos meio de comunicação.
Em primeira análise, evidencia-se que a escola está perante a essa problemática. Ao mesmo tempo em que a instituição escolar tem papel crucial na formação do indivíduo, o seu autoritarismo e inflexibilidade na construção e demonstração corroboram que uma ideia apresentada será invalidada caso não esteja de acordo com a norma culta. Nesse contexto, Bagno condena essa imposição, essa obrigação de uma norma linguística ser tida como dominante e comum a mais de 200 milhões de brasileiros.
Paralelo a isso, a mídia, de forma errônea, ajuda na propagação desse preconceito. Prova disso são as novelas, cujo há sempre um personagem “nordestino”, que sem exceção, é ridicularizado e sendo motivos para risos na trama e automaticamente, sendo comparado a um tipo grotesco, rústico e preguiçoso, enquanto os demais personagens são unilaterais e falam uma língua que não é falada em nenhum lugar do Brasil, a normal. Portanto, é evidente, que há um preconceito embutido e camuflado nos bordões televisivos que acaba sendo estimulado a se tornar algo natural.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para combater o preconceito linguístico, visto que ela é a marca de um povo e de uma nação. Cabe ao Ministério da Educação, em parcerias com as escolas, valorizar o ensino das variações linguísticas e suas formalidades a fim de conscientizar os estudantes na flexibilidade e respeito com essas variações. É papel da Mídia promover novelas, com atores locais, sem caricaturar os personagens, a fim de mostrar que o Brasil é uma nação dos mais diversos jeitos e falas, fazendo com que a população se adeque e as respeite a esses.