Preconceito Linguístico

Enviada em 10/10/2018

Segundo José Ortega y Gasset no livro ‘‘A rebelião das massas’’, o ser humano não consegue relacionar diferenças sem hierarquização. Não obstante, a diversidade dialética, no Brasil é alvo, constantemente, de preconceitos, que, por sua vez, causam deletérias consequências a toda sociedade. Sob essa perspectiva, faz-se necessário analisar dois aspectos cruciais: a supressão dialética e o seu perigo à democracia.

Em primeira análise, a hegemonia linguística no Brasil é um retrocesso, visto que, ela exclui aspectos históricos, culturais e sociais de determinado grupo, suprimindo, assim, parte da identidade brasileira. Nesse sentido, faz-se necessário a preservação das variantes da língua portuguesa, para que, dessa forma, a diversidade cultural seja mantida e respeitada.

Ademais, não existe a maneira certa e errada de se falar, já que, a língua é mutável e vai se adaptando de acordo com ações do falante.

Em segunda análise, no supracitado livro de José Ortega y Gasset, a dessemelhança é vista como algo inferior, ocasionando, dessa forma, o processo de exclusão social a todos aqueles que não se encaixam no padrão. Destarte, o preconceito dialético desqualifica e inválida o discurso de determinados grupos que, como no livro, são suprimidos socialmente por terem suas ‘‘vozes abafadas’’. Esse preconceito é pouco discutido no Brasil e, por conta disso, tão presente no nosso país.

É possível inferir, portanto, que a supressão dos diferentes dialetos, no Brasil, é um problema que além de deletar parte da cultura brasileira, fere também a democracia, e, por conta disso, precisa ser combatido. Desse modo, é necessário que o governo juntamente ao MEC, através de propagandas, palestras e panfletos, incentivem, não somente as escolas, como também todo o Brasil, a discussão sobre a diversidade linguística e a sua importância para a perpetuação da democracia, para que dessa forma o preconceito linguístico seja desconstruído e erradicado da nossa pátria verde-amarela. Juntamente a isso, as escolas incentivadas devem ensinar a língua portuguesa de maneira aprofundada e com todas suas variantes.