Preconceito Linguístico

Enviada em 09/10/2018

De acordo com a obra “Vidas Secas” do autor Graciliano Ramos, o protagonista é desencorajado pelo seu patrão de protestar contra a vida difícil da região, uma vez que não entenderiam a sua fala, totalmente desvinculada da norma padrão. Apesar de exposta na ficção, a problemática do preconceito linguístico é visível na sociedade hodierna e tem como causas a falta de alteridade e a falha na educação básica.

Primordialmente, a escassez de empatia dos grupos considerados privilegiados fomenta a prática do preconceito linguístico. Conforme o sociólogo Zigmund Bauman, a modernidade causou a fluidez das relações sociais e o consequente individualismo do sujeito. De acordo com essa premissa, a falta de alteridade exposta no conceito de Bauman é encorajada pela intolerância fornecida a indivíduos menos escolarizados, os quais talvez não tiveram chances de obter instruções gramaticais e por isso são alvos de chacotas e humilhações, simplesmente por falarem e escreverem “errado”. Dessa forma, o preconceito linguístico é enraizado e encorajado na sociedade brasileira consoante as ações de alguns mais instruídos.

Ademais, a falha na educação básica também contribui para o estigma do preconceito linguístico. Segundo o pedagogo Paulo Freire, “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Conforme essa linha de pensamento, no momento em que o docente tenta instruir uma criança, ele o faz de forma errada, pois deprecia e insulta a linguagem dela e a corrige sem mencionar que o aspecto prático da língua é a comunicação. Com isso, forma-se uma geração de indivíduos intolerantes aos diferentes aspectos linguísticos, como os regionalismos e as variações diastráticas que tanto permeiam o Brasil.

Destarte, é imprescindível a mudança social no que diz respeito ao preconceito da língua. Dessa maneira, a mídia tem o dever de estimular a tolerância e a alteridade do sujeito mais instruído ao menos instruído, por meio de propagandas na televisão aberta, a fim de exemplificar que não há forma certa ou errada de falar, mas sim contextos diferentes de uso da língua. E, ainda, o Ministério da Educação tem o papel de fornecer instruções às faculdades de pedagogia de todo o país, por intermédio de cartilhas aos futuros pedagogos, com o objetivo de articularem da melhor forma o ensino da língua aos seus alunos e incentivarem o respeito às diferenças linguísticas. Com essa visão, poder-se-á estimular e erradicar o preconceito linguístico do Brasil.