Preconceito Linguístico
Enviada em 22/10/2018
“Muito prazer, meu nome é otário”. O verso da música “Dom Quixote”, escrita pela banda Engenheiros do Havaí, expressa de maneira crítica o sentimento de inferioridade das minorias frente ao descaso do Estado com problemas sociais. Nesse contexto, o preconceito linguístico mostra-se como um dos problemas que fundamentam a desigualdade no Brasil não só através de uma norma padrão como supressora da pluralidade mas também da língua falada como marca de uma hierarquização social.
De início, cumpre atentar que a norma padrão do idioma suprime a pluralidade nacional. Tal fato, acontece quando a gramática normativa: convenção estabelecida por um conjunto de regras, é aplicada na fala como forma de estabelecer a falsa noção de certo e errado. Nesse aspecto, a fala de Miguel de Cervantes, um dos maiores escritores da história, em que o português é a língua mais sonora do mundo parece ir de contra a mecanização, nociva, do idioma falado quando conformado à norma culta padrão da escrita.
Além disso, cabe ressaltar, ainda, que a língua falada, infelizmente tem sido usada como instrumento para classificar níveis sociais. Essa relação, existe através da associação da fala de um indivíduo ao seu nível socioeconômico, situação comumente vivida por nordestinos e severamente criticada no livro " Grandes Sertões: Veredas" de Guimarães Rosa, através do preconceito vido pelo personagem Riobaldo. Nesse viés, ao estabelecer uma linguagem padrão, utilizada principalmente pelas elites sociais, qualquer outra forma de expressar o idioma, lamentavelmente, é vista como inferior.
Portanto, diante desse cenário inaceitável, pode-se afirmar, categoricamente, a necessidade de medidas concretas que visem a diminuição do preconceito linguístico. Assim, o Ministério da Educação, em conjunto com o Senado, deve apresentar um projeto de lei que torne o preconceito linguístico um crime grave contra a humanidade, a fim de promover acessibilidade, livre de preconceito, a grupos desfavorecidos e, gradativamente, o fim dessa prática. Essa medida, deve ser divulgada em propagandas midiáticas, subsidiadas pelo Governo Federal, acerca dos impactos sociais desse tipo de preconceito.