Preconceito Linguístico

Enviada em 09/10/2018

Consoante ao pensamento do antropólogo francês, Claude Levi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações pessoais. Esse panorama auxilia na análise sobre os modos de falar, visto que a comunidade, historicamente, inferioriza os sotaques que divergem da variante padrão. Diante desse cenário, surge a problemática do preconceito linguístico que persiste intrinsecamente ligado ligado à realidade do país, seja pela falta de educação sociocultural, seja pela falta de alteridade da população.

Em primeiro plano, é indubitável que a questão da educação e sua aplicação estejam entre as causa do problema. Conforme o grande símbolo da educação brasileira, Paulo Freire, a educação sozinha não transforma a sociedade, mas sem ela, tampouco a sociedade muda. Nessa lógica, é notável que a escola tem um papel primordial na formação sociocultural dos infantes, porém, a precária educação brasileira no sentido de combater paradigmas e preconceitos existentes em nossa sociedade, corrobora para a difusão de uma ideia equivocada sobre as variações linguísticas existentes. Esse problema pode ser averiguado na ausência do ensino sobre as particularidades da língua, que são compostas por heranças culturais, históricas e regionais, e que devem ser valorizadas como herança cultural dos indivíduos.

Cabe salientar, outrossim, que a falta de alteridade da população é um fator impulsionador do problema. De acordo com Arthur Schopenhauer, os homens tomam os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que o preconceito linguístico se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que a falta de compreendimento sobre a realidade alheia faz com que comportamentos retrógrados sejam perpetuados no cotidiano. Nesse cenário, são frequentes os casos de agressões físicas e psicológicas, que oprimem aqueles que não seguem a variante padrão da língua e que podem até causar doenças mentais, como a depressão.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que a Escola - que tem como função desenvolver as capacidades físicas, cognitivas e afetivas do aluno-, em parceria com o Ministério da Educação, promova o entendimento sobre a história e as variações da língua por meio de palestras e de materiais didáticos que abordam o tema de forma a contribuir para a formação sociocultural do indivíduo. Nesse sentido, o intuito de tal medida deve ser combater o preconceito linguístico existente na sociedade brasileira e ensinar que não há apenas uma forma correta de falar. Além dessa, outras medidas devem ser tomadas, porém, de acordo com Oscar Wilde, “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou uma nação”.