Preconceito Linguístico

Enviada em 09/10/2018

Na obra “Preconceito Linguístico: o que é, e como se faz”, o linguista Marcos Bagno afirma que não existe uma forma certa ou errada dos usos da língua e quando existe superioridade de uma lingua em detrimento de outras formas de linguagens, isso provoca exclusão social. Nessa perspectiva, a sociedade brasileira tem ido ao encontro do postulado linguístico, desvalorizando as variantes linguísticas seja pela intolerância da sociedade, seja pela influência dos meios midiáticos. Assim, fomentando os efeitos da aversão das diversidades presentes no Brasil.

A princípio, o Brasil com dimensões continentais possuí variantes linguísticas disseminadas por todo território. À vista disso, é comum existir diferenças regionais desde dialetos regionalismo, gírias e sotaques, uma vez que a colonização brasileira implicou fusão de culturas no país. Entretanto, embora exista particularidades regionais, a sociedade brasileira ainda é intolerante por fundamentar um sistema unitário de linguagem - a gramática normativa, em detrimento das outras formas de linguagens. Com isso, esse preconceito tornou-se um propulsor da estratificação e exclusão social.

Ademais, os meios midiáticos influenciam e acentuam essa problemática no país - marginalizando outras linguagens. Isso se deve ao fato de que, a partir das narrativas de ficção engajadas os personagens nordestinos ou do interior é, um tipo grotesco, rústico, atrasado - criado para provocar riso e deboche dos demais personagens e do espectador. Como também, valorizar indivíduos das capitais em detrimento das outras regiões brasileiras, por conseguinte, refletindo essas ações na realidade nos ambientes sociais, vide que corrobora para repressão e até mesmo violências.

É evidente, portanto, que há embates para aceitação das pluralidades da Língua Portuguesa. Para isso, é imperativo que as mídias televisivas revejam papéis marginalizando outras linguagens, por meio da valorização e da disseminação das variantes linguísticas em seus enrredos engajados, assim cumprindo o seu papel em difundir a valorização da língua para a sociedade brasileira. Desse modo, essa ação possibilitará a desconstrução do preconceito, combatendo a intolerância e a violência que advém dessa influência enraizada pelos meios midiáticos.