Preconceito Linguístico
Enviada em 11/10/2018
Segundo a Sociologia, a língua é a Instituição Social responsável pela comunicação entre os indivíduos. Dessarte, em um mesmo idioma, ainda que sejam usadas variações, como gírias, sotaques e regionalismos, essa faz-se compreensível. Apesar disso, vê-se hoje, no Brasil, problemas envolvendo preconceito em relação às diferenças linguísticas. Nesse sentido, por ser uma situação problemática e pouco discutida, faz-se necessário analisar não só quais são as causas e consequências de tal discriminação, mas também buscar meios para mitigá-la.
A princípio, cabe perceber que a língua portuguesa falada no Brasil foi moldada ao longo dos séculos mediante influências portuguesas, indígenas e africanas, e tendo o modo erudito valorizado. Nesse sentido, nota-se que a principal razão do preconceito linguístico atual decorre do prestígio social dado, historicamente, à forma culta da língua. Isso porque, a norma padrão linguística funciona como um fato social durkheimiano, já que, a gramática normativa, por ser extremamente superiorizada, exerce coerção sobre os indivíduos e molda seus comportamentos, uma vez que tudo que se afasta dela é considerado incorreto.
Por conseguinte, têm-se inúmeros prejuízos para aqueles que sofrem com o preconceito linguístico. Primeiramente, no âmbito estudantil, há o bullying -intolerância em forma de agressões repetitivas- cujos jovens que possuem linguagens diferentes da usual costumam ser vítimas. Outrossim, existe também a exclusão social gerada pela exaltação da norma padrão. Isso porque, pessoas que utilizam variáveis linguísticas diferentes dessa, são tidas como incapacitadas e não aptas, sendo, assim, menos selecionadas no mercado de trabalho. Além disso, a utilização única da linguagem culta pode, ainda, restringir o entendimento da população a respeito de determinados assuntos. Exemplo disso, é o fato de documentos e leis -que exibem informações úteis ao povo- serem acessíveis apenas a um grupo seleto da população por possuírem linguagem super complicada e formal.
Torna-se evidente, portanto, que a discriminação linguística deve ser combatida. Para tal é necessário que o Governo, por meio do MEC, distribua nas escolas cartilhas e kits educativos que exponham a importância do respeito às diferenças e os benefícios da tolerância. Ademais, deve também promover, nas escolas, atividades lúdicas, como peças teatrais e shows de música, que envolvam tanto os alunos quanto suas famílias e ensinem as variáveis linguísticas de modo a mostrar que jargões, gírias e regionalismos devem ser considerados com mesmo grau de validez da norma culta. Tudo isso com o intuito de formar jovens mais respeitosos e informados. Desse modo, será possível que todos as tipologias linguísticas sejam legitimadas e que tal preconceito seja extinguido do país.