Preconceito Linguístico
Enviada em 09/10/2018
Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o defunto-autor de Machado de Assis diz que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez em 2018 ele concluiria estar certo, porque o preconceito linguístico é uma das faces mais perversas do brasileiro. Com isso, surge a questão da discriminação linguística no Brasil, seja pelo não cumprimento das cláusulas pétreas, seja pela falta de acesso à norma padrão, com o que corrobora o personagem de Assis.
Primeiro, é incontestável que a falha na aplicação da Constituição esteja entre as causas do problema. De acordo com o Artigo 3 constitucional, o brasileiro tem o direito de ter uma sociedade livre, justa e solidária. No entanto, é possível perceber que no Brasil a prenoção idiomática impede esse direito de ser desfrutado, haja vista que pessoas que se expressam de formas sem prestígio social sofrem preconceito, segundo o site G1. Tal atitude não condiz com a Magna Carta e ratifica Brás Cubas.
Outrossim, segundo o escritor Marcos Bagno, as pessoas das classes cultas de qualquer lugar no Brasil dominam melhor a língua padrão do que as das estofas menos eruditas desses lugares. Assim sendo, observa-se um terreno fértil para o preconceito linguístico, uma vez que a norma culta está vinculada ao acesso que as pessoas têm aos estudos, e não à região em que vive. Por isso, devido a falhas no sistema educacional, o acesso à norma padrão não acontece e legitima o defunto-autor.
Destarte, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, cabe ao Governo Federal construir delegacias especializadas em crimes de ódio contra as línguas regionais por meio de projetos administrativos, a fim de atenuar a prática do preconceito na sociedade. Isso auxiliará na aplicação da Constituição. Ainda cabe à escola abordar as variações do português via palestras, com o fito de informar crianças e jovens sobre as diferenças dialéticas no país, e de diminuir, assim, o preconceito idiomático. Deste modo, com essas propostas postas em prática, constrói-se, então, uma sociedade mais justa e fiel aos princípios da Constituição, e cria-se um país de que Brás Cubas pudesse se orgulhar.