Preconceito Linguístico

Enviada em 09/10/2018

O poema “Pronominais” de Oswald de Andrade, autor da primeira fase modernista, faz referência às principais características desse movimento literário: inserção da cultura popular e renovação da linguagem. Destarte, abriu espaço para discussão das variantes no cenário brasileiro, porém, o conceito do certo e errado na língua trouxe consequências, seja pelo desconhecimento da mutabilidade da língua, seja pelo estereótipo da fala, causando assim o preconceito linguístico.

A priori, é importante destacar que, o preconceito linguístico é derivado principalmente das práticas escolares, pois ao iniciar os estudos, o indivíduo aprende que a língua falada não é correta, e que deve utilizar a norma culta, fazendo com que qualquer resquício do antigo modo de se expressar seja considerado um erro, reprimindo, censurando e, até mesmo, ridicularizando o indivíduo. Isso faz com que a sociedade passe a classificar as pessoas e as subjugar, apenas pela maneira de falar.

Ademais, vale ressaltar ainda que, infere-se a mídia o papel influente na formação de opiniões. À vista disso, na obra “Preconceito Linguístico” do professor Marcos Bagno, critica as novelas televisionadas que estigmatiza o nordestino de maneira a ser caricato do rústico, atrasado, uma vez que não apresenta a realidade da região, mas o marginaliza e exclui socialmente, deixando a mostra e de maneira evidente o preconceito linguístico. O Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante campanhas presidenciais, já foi taxado, por seus opositores, com um indivíduo que “não sabia falar, tampouco governar um país” e, mesmo depois de eleito, não cessaram as acusações de que Lula “falava errado”.

Portanto, segundo Marcos Bagno, não existe uma forma “certa” ou “errada” do uso da língua e o preconceito é gerado pela ideia de que há uma única língua correta, baseada na gramática normativa a qual é ensinada nas escolas. Logo, percebe-se que é de extrema importância erradicar esse modelo de preconceito. A escola tem um papel importante nesse processo; é imprescindível impor ao indivíduo o entendimento da norma culta, mas seguida de suas variantes, explicitando que a norma serve para um entendimento comum a todos os portadores da íngua portuguesa e que suas mutações são importantes para compreensões convictas a uma região, cultura ou classe social específica. Dessa forma o aluno será um conhecedor amplo da língua a qual ele é portador. A partir do momento em que se adquire o entendimento sobre o assunto, percebe-se, então, que o maior fruto a ser colhido é o respeito, ao invés da discriminação, formando assim, uma sociedade mais tolerante.