Preconceito Linguístico

Enviada em 09/10/2018

O território brasileiro é contemplado com uma grande extensão de terras, ampla diversidade étnica e pluralismos culturais, contudo, ações etnocentricas ainda são vigentes na sociedade, entre elas o preconceito linguístico. O colonialismo português representa um passado marcado pela aculturação e a ruptura de uma identidade nativa, fatores que a nível hodierno acarretam a discriminação seguida de exclusão social, e uma imensa perca cultural. Nesse ínterim, medidas de conservação e proteção à história devem ser elaboradas, onde o Estado em associação com o corpo docente educativo se mobilizará.

A língua falada de determinado grupo depende de inúmeras razões, entre elas o meio social, histórico e geográfico no qual o indivíduo está inserido, o que gera vocábulos, gírias e dialetos próprios de uma determinada região. O uso de neologismos, ou seja, a criação de novas palavras não oficiais seguidas de um coloquialismo contemporâneo acabam criando estereótipos sobre essas pessoas, taxadas como um grupo de baixa escolaridade e pouco prestígio social. As culturas de massa agem autoritariamente elegendo uma língua como oficial e “correta”, quando isso acontece consequentemente as demais sofrem repressão.

Embora nossa matriz linguística seja africana e indígena, podemos presenciar sua escassez cada vez mais alarmante. A supremacia europeia fez com que o tupi-guarani entre em um estágio de quase integral extinção, representando os impactos tragos pelo colonialismo supracitado. A priori os jesuítas realizaram uma apropriação cultural do tupi como forma de interação e catequização dos índios, após essa breve aproximação as imposições de comportamentos e hábitos se tornaram constantes, trazendo reflexos para a sociedade vigente, que elege o politicamente correto como padrão, desconsiderando os fatos históricos.

Em suma, torna-se necessário uma democratização linguística , considerando-a como meio identitário de uma nação, não como forma repreensiva, mas abrangente. Nas unidades educacionais devem haver cursos preparatórios para professores de áreas como história, português, artes e literatura, os motivando a realizarem a propagação de um conhecimento livre de barreiras voltadas para o preconceito, tendo por objetivo difundir a ideia de um Brasil amplamente diversificado. O Poder Legislativo atuará elaborando leis que defendam a variabilidade como patrimônio nacional, sendo crime todo e qualquer ato de etnocentrismo, assim o “diferente” passará a ser respeitado.